segunda-feira, 25 de março de 2013


EVANGELHO

Evangelho quer dizer “boas novas, boas notícias”. O portador das boas notícias é Jesus de Nazaré. As boas notícias são que “o Reino de Deus chegou”. E as notícias ficam melhores ainda quando entendemos que Jardim do Éden, paraíso, céu e Reino de Deus são expressões sinônimas.

Céu e paraíso são expressões que descrevem uma condição existencial resultante de uma qualidade de relacionamento entre o ser humano e o Deus Criador. O céu é o ambiente em que a vontade de Deus é feita em perfeição, isto é, ambiente em que o Universo funciona absolutamente dentro dos padrões definidos pela natureza, a essência e o caráter do Deus Criador. É exatamente isso que é o Reino de Deus.

O evangelho de Jesus é a afirmação de que o Reino de Deus está disponível, desde já, para todos aqueles que abandonarem o reino do “eu” e abrirem mão de sua pretensão de ser, para si mesmos, o padrão de bem e de mal. Essa é a experiência que o Novo Testamento chama de arrependimento. Esse foi o chamado de Jesus: “Arrependei-vos e crede”. E porque devemos nos arrepender e crer? Simples, “porque o Reino de Deus está próximo”, isto é, o Reino de Deus está acessível, disponível. Basta crer e viver à luz dessa verdade para que, a seu redor, o caos comece a entrar em ordem, isto é, o Jardim comece a dar seus sinais.

O chamado ao arrependimento significa “mudem completamente seu jeito de viver e de fazer as coisas, creiam que os recursos de Deus estão disponíveis e que o mundo pode ser diferente”.

Essa perspectiva de céu e terra amaldiçoada dá um novo significado ao nosso conceito e nossa atitude em relação ao trabalho. O trabalho deixa de ser um castigo que acompanha a expulsão do paraíso. Na verdade, mesmo no paraíso, o ser humano tinha trabalho. Deus o colocou no paraíso para cuidar do jardim e cultivá-lo. É fato que, expulsos do paraíso e habitando uma terra amaldiçoada que produz espinhos e cardos, as coisas ficam mais difíceis. 

Mas também é fato que, quando abrimos mão da nossa pretensão de controle e dedicamos as coisas para que sobre elas venha o Reino de Deus, e a vontade de Deus seja feita fora do paraíso como é feita dentro do paraíso, o caos começa a entrar em ordem.

Construir é cooperar com Deus para colocar ordem no caos. Construir é plantar jardins no meio do caos. Esse caos pode ser seu mundo interior, seu ambiente familiar, suas relações de trabalho e a sociedade onde você vive. Não importa. O que importa é que você cumpra sua vocação de cooperar com Deus.

A partir dessa experiência, tudo o que você faz é inserido na dimensão do sagrado. Todo serviço passa a ser um ato de cooperação com Deus para a redenção do Universo. Não importa se esse serviço é falar palavras de encorajamento e de consolo para alguém em aflição, consertar um automóvel, fazer um parto, dar uma aula de matemática, fechar um balanço da empresa ou passar a manhã de sábado com os filhos no parque.

Todo trabalho realizado com devoção a Deus é também uma dádiva ao próximo e um sinal do Reino de Deus. O bispo sul-africano Desmond Tutu disse que “é por meio do trabalho que nos tornamos cooperadores de Deus”.

Talvez por isso Jesus nos advertiu que o julgamento final seria nos termos da solidariedade e da promoção da justiça: tive sede, e você me deu de beber; fome, e você me deu de comer; estive preso, e você me visitou; nu, e você me vestiu; desabrigado, e  você me deu terra para plantar, sem horizontes, e você me deu crédito; oprimido, e você foi meu advogado; era analfabeto, e você me alfabetizou; fiquei doente, e você me operou; estava na fila, e você me atendeu com dignidade; com dor de dente; e você me fez sentir alívio; desempregado, e você me deu oportunidade; triste, e você me fez rir; chorando sozinho, e você chorou comigo.

Estamos aqui para mostrar ao mundo que outro mundo é possível – que pretensão maravilhosa. Essa é a pretensão que move os cidadãos do Reino de Deus. Acreditamos que o caos pode entrar em ordem, que o deserto pode florescer e que este mundo, este lado de cá do céu, é digno de ser trabalhado. Somos vocacionados para plantar jardins.

Ó vinde, vós, os povos de todas as nações, erguei-vos e cantai com alegria.
Fazei soar nos ares a nova melodia que Jesus Cristo traz libertação.
É tempo de romper a vil escravidão que em vós exercem os homens ou idéias.
É tempo de dizer que só Deus pode ser o único Senhor da humanidade.
A verdade vos libertará, sereis em Cristo verdadeiramente livres.

Vinde todos, sim, vinde já, e celebrai com alegria a vossa libertação.
E vós os oprimidos, e vós os explorados, e vós os que viveis em agonia, e vós os cegos, coxos, vós cativos, sós, sabei que em breve vem um novo dia. Um dia de justiça, um dia de verdade, um dia em que haverá paz na terra, e que a vida vencerá a morte, e a escravidão, enfim, acabará.

segunda-feira, 18 de março de 2013


REDENÇÃO

A tradição cristã interpreta o ato de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal não como o surgimento da consciência, mas como um ato de rebeldia, um grito de independência da criatura para com o Criador.

Ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, a criatura não pretende adquirir consciência do bem e do mal, mas sim tomar nas mãos a prerrogativa de determinar o bem e o mal e, nesse sentido, “ser igual a Deus”. O que está em questão é o questionamento a respeito de quem será o padrão para o funcionamento do Universo e das relações que nele se processam: Deus ou o homem? A resposta cristã é que a morte é a conseqüência natural do fato de a criatura viver como se Deus não existisse.

Ao afirmar que “o homem se tornou como um de nós”, Deus não estava concordando com a Serpente. A expressão “ser igual a Deus” não trata de atributos e potências, mas sim de status, isto é, não descreve o que o homem pretendia ser – poderoso tal qual a divindade, mas sim o que o homem havia se tornado, um padrão de existência autônomo e rebelde, em oposição à divindade.

A expulsão do paraíso não coloca o ser humano fora de um ambiente geográfico, mas sim de uma condição existencial. Expulso do paraíso, o homem não está longe de uma terra, mas sim alijado de um relacionamento, o relacionamento com Deus, o Criador. Porque pretende ocupar o lugar do Criador é que o ser humano fica impedido de ter acesso ao paraíso. Talvez você esteja se perguntando: “Que Criador melindroso é esse que não é capaz de conviver com adversários?

Mas a questão não é essa. Quando dizemos que o sujeito está com frio porque está longe da fogueira, isso não quer dizer que a fogueira é melindrosa e recusa-se a dar o seu calor.
Os paralelos ficam bem claros e fecham o quebra-cabeças do dilema da raça humana. O Reino de Deus equivale ao paraíso. A terra amaldiçoada equivale ao lado de fora do paraíso. Para que a terra amaldiçoada seja transformada em paraíso, a rebeldia da raça humana deve ser substituída pela rendição à autoridade e soberania amorosa do Criador: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

A vocação de cada ser humano continua sendo cooperar com Deus para colocar ordem no caos. O resultado da reconciliação entre criatura e Criador é a unidade do Universo, em que céu e terra não estão mais em oposição, e o paraíso abraçou e redimiu toda a terra amaldiçoada, isto é, o Reino de Deus chegou em plenitude. Assim, existirá “o céu e tudo o mais”, em vez de “o céu e nada mais”. Por isso é que o homem deve lutar contra sua ambição de fuga para o paraíso. Deve acreditar que este lado do céu é digno de ser trabalhado: plantar jardins na terra maldiçoada. A dicotomia entre céu e terra deve acabar. 

Negar a terra como se houvesse apenas céu e nada mais é trair o propósito de Deus, que delegou a terra aos cuidados da raça humana.
O reino de Deus é o equivalente ao jardim, de onde o homem foi expulso. O jardim é o mundo sob o comando de Deus. Toda vez que um ambiente, uma relação, uma atividade é submetida a Deus, o caos começa a entrar em ordem, isto é, o jardim dá seus sinais. Haverá um dia em que o caos será transformado em jardim. Então, o Reino de Deus, que já foi inaugurado, estará consumado.

Enquanto o Reino de Deus não vem em plenitude, nós trabalhamos para que ele seja sinalizado ao nosso redor. Enquanto o mundo todo não é transformado em um grande jardim, nós construímos alguns jardins no mundo.

Essa vocação de cooperar com Deus para colocar ordem no caos, vocação de todo ser humano, é que sintetizo no propósito de construir. Construir é exercer poder para dominar a terra. Construir é insurgir-se contra a Serpente e contra todos os agentes da morte para promover a vida.
Construir é plantar jardins em meio ao caos!      

segunda-feira, 11 de março de 2013


C O F R E S

Jesus nos aconselha a não acumular tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões roubam e furtam. Melhor é acumular tesouros no céu. A maioria das pessoas faz uma distinção entre riquezas da terra e riquezas do céu. Separam a realidade em duas, em que bens materiais (como casa, carros e jóias) são considerados riquezas da terra, e os bens imateriais (como caráter, liberdade e alegria) são chamados tesouros do céu.

Mas Jesus não fez a distinção entre tesouros da terra e tesouros do céu. Jesus falou de tesouros na terra e tesouros no céu. Ele não fez distinção entre tipos de riquezas, mas sim entre lugares onde essas riquezas estão armazenadas ou guardadas: na terra ou no céu.

A realidade é una. Lembrando sempre que somos pó da terra e fôlego de vida, o pão e a alegria são partes indispensáveis da aventura de viver. A casa e o acolhimento fraterno são faces complementares do abrigo. Abrir mão de possuir para encontrar a alegria é uma experiência pessoal, própria para aqueles cujos corações não estão cativos da realidade material.

As trilhas estóica e franciscana não são, necessariamente, os únicos caminhos para a bem-aventurança. O segredo não é deixar de ter, mas saber ter. A sabedoria não consiste em abrir mão dos tesouros da terra, mas sim em colocar os tesouros da terra no céu.

A maneira como lidamos com o dinheiro determina “quem é o dono de quem”, como diz o poeta. Jesus mostrou dois caminhos possíveis: ser escravo do dinheiro e ser súdito do Reino de Deus. Não dá para ser-fazer as duas coisas. E uma coisa é certa: o dinheiro é um deus que reivindica lealdade absoluta. É chamado de Mamom, um deus, o que surpreende muita gente, pois desfaz a noção de que o dinheiro é neutro.

Está enganado aquele que pensa que o dinheiro não é bom nem mau e que mau é o amor ao dinheiro. Na verdade, o dinheiro tem a capacidade de aprisionar o coração, “pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”. Por essa razão Jesus recomendou que o dinheiro fosse colocado no céu, pois somente lá não apenas ele estará seguro, como também nós estaremos seguros em relação a ele.

John Wesley, fundador do Metodismo, disse que tão logo o dinheiro chegava a seu bolso, ele dava um jeito de livrar-se dele, para que o dinheiro não encontrasse o caminho do seu coração. Acho que “livrar-se do dinheiro” é uma possível tradução para “ajuntar tesouros no céu”.

Acredito que existem ótimas maneiras de nos livrarmos do dinheiro. A primeira é por meio da restituição. Não se iluda. Se você tem nas mãos dinheiro que jamais deveria ser chamado de seu, dinheiro que foi ganho de maneira ilícita, então tem no seu bolso uma bomba de tempo, que cedo ou tarde vai explodir, deixando sua vida em cacos. Zaqueu foi um homem que encontrou a felicidade quando imergiu no Reino de Deus e descobriu que deveria devolver tudo quanto havia roubado e usurpado.

A segunda maneira de ajuntar tesouros no céu é por meio da doação. Certa vez um homem rico foi perguntar a Jesus como poderia herdar a vida eterna. Depois de um breve diálogo tratando de obediência aos mandamentos divinos – questões morais e comportamentais -, Jesus foi direto ao ponto:

- “Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”.  

Por trás desse evento, existem duas sabedorias que contrariam o senso comum. A primeira é a noção de que Jesus mandou trocar as riquezas da terra pelas riquezas do céu. Mas já sabemos que Jesus não faz essa distinção. Não se trata de abrir mão de ter aqui para ter depois da morte. Depois que o homem rico foi embora, de volta para seu dinheiro, Jesus explicou a seus discípulos que “ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pia ou filhos por causa do Reino de Deus deixará de receber, na presente era, muitas vezes mais, e, na era futura, a vida eterna.

Isso não significa que o ingresso no Reino de Deus implica abandono do lar e de todo e qualquer tipo de posse. Não é que você dá as costas para o que possui e para as pessoas que ama e fica de frente para Deus. O segredo consiste em colocar Deus entre você, suas posses e as pessoas que você ama. Isso significa que, a partir do ingresso no Reino de Deus, suas relações com tudo e com todos são mediadas por sua disponibilidade a Deus.

Nada estará em suas mãos como posse, mas sim como dádiva, primeiro a Deus e depois a quem precisar. De fato, “é dando que se recebe”, pois uma vez que você dá a quem precisa, por amor ao Reino de Deus, você recebe cem vezes mais, isto é, abre mão do pouco que possui para ter acesso a tudo quanto Deus possui.

 A segunda sabedoria desse conselho de Jesus, “vende tudo e dê o dinheiro aos pobres, para receber cem vezes mais agora e no futuro a vida eterna”, é que se imagina que a vida eterna é uma experiência apenas futura. Acredito que a vida eterna começa agora. O paraíso começa aqui. O céu é, também, um estado de espírito, um senso de plenitude. O paradoxo é que somente o tesouro que não é retido egoisticamente satisfaz o coração humano. Somente quem abre mão de possuir é agraciado com a sensação de possuir tudo.

Qualquer riqueza utilizada de modo egocêntrico será sempre riqueza que se esvai pelos dedos, deixando a sensação de nunca ter existido, imprimindo no coração a sensação de empobrecimento. Riqueza despendida egoisticamente é riqueza consumida que vai deixando a sensação de perda. Riqueza partilhada é riqueza multiplicada.

A terceira maneira de nos livrar do dinheiro e de ajuntar tesouros no céu é negociando. Negociar é colocar dinheiro em circulação. Colocar dinheiro em circulação significa duas coisas: criar oportunidades para a multiplicação de riquezas e correr o risco de perder dinheiro.

Quem opta pela retenção dos tesouros achando ser esse o caminho de maior segurança acaba sendo réu de juízo, acusado de interromper o fluxo das riquezas, num universo em que tudo deve estar em constante movimento, sob pena de tornar-se absoleto e de deteriorar-se até apodrecer e morrer.

segunda-feira, 4 de março de 2013


AUTORIDADE ESPIRITUAL

Estamos vivendo em meio a uma forte crise de autoridade. Os homens tomam posse de seus cargos, mas não conseguem conquistar os corações de seus subordinados. A sociedade, vez por outra, promove discussões sobre qual é a melhor forma de governo para um país. Democracia presidencialista, monarquista ou parlamentarismo.

Se prestarmos bastante atenção às páginas das Escrituras, veremos que o único regime de governo que funcionou, de fato, foi a Teocracia. As decisões, neste sistema de governo, são centralizadas em Deus e não no homem. Numa Teocracia, toda autoridade é delegada por Deus e não pelo povo. Homens permanecem em suas posições enquanto fazem o que o Senhor manda, da forma como o Senhor quer.

Baseada na premissa de que a voz do povo é a voz de Deus, a democracia praticada pelos governos, determina que os líderes assumam e permaneçam no poder enquanto o povo assim o desejar. Este tipo de governo faz de seus líderes representantes do povo, enquanto a Teocracia determina que os líderes são representantes de Deus. Enquanto Jesus não vier estabelecer pessoalmente seu reino, teremos que conviver com a democracia em nosso país, mas na Igreja o domínio de Deus deve ser estabelecido.

Um princípio bíblico que deve ficar bem claro é que toda autoridade foi instituída por Deus (Rm 13.1). Quando nós, como igreja, não aceitamos a autoridade instituída por Deus, estamos nos rebelando contra o próprio Senhor que a instituiu. Portanto, a menos que haja uma verdadeira aberração doutrinária ou de comportamento, devo permanecer submisso aos meus líderes. Isso deverá acontecer enquanto eles mesmos estiverem submissos à Palavra de Deus.

Dentro do corpo de Cristo a comunicação se dá de cima para baixo e não de baixo para cima. Deus mostra direção ao pastor e este à Igreja. Afinal, é o pastor que sabe onde estão os pastos verdejantes e não as ovelhas, pois se estas soubessem, não precisariam de pastores. É assim que a Igreja deve funcionar, quando cada um sabe exatamente qual é o seu lugar no corpo.

Uma comunidade cristã precisa mais do que estrutura e organização, ela carece de gente espiritual, capaz de falar em nome de Deus. Um organograma é fácil de ser feito, difícil é produzir homens e mulheres espirituais.

A Igreja se prepara para enfrentar dias em que a fé será exigida como nunca. Quando assumirmos nossa autoridade como profetas e sacerdotes, que estão aqui para expandir o Reino, então alcançaremos alturas ainda não experimentadas e seremos capazes de fazer exatamente o que Deus quer. Verdades, antes ocultas, começam a ser desenhadas diante de nossos olhos estarrecidos. O Espírito Santo está falando à Igreja.

Se hoje estamos ouvindo sua voz, não endureçamos nossos corações. Vamos simplesmente atender a seu chamado e caminhar rumo a este futuro que nos está proposto. Você também é parte disso. Se cada um de nós descobrir o seu papel nesta história dos últimos dias, então grandes coisas acontecerão em nosso meio. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


POVO DE DEUS

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas, para a sua maravilhosa luz” (I Pe 2.9).

Quando olhamos para a Igreja como um povo de Deus, a primeira idéia que deve vir à nossa mente é a de que já temos um dono, pois fomos adquiridos por Deus. Gosto de pensar que nossa salvação é de graça, mas não é barata. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como a prata e o ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, a qual por tradição recebestes de vossos pais” (I Pe 1.18).  

Para sermos reconhecidos como povo de Deus, devemos nos comportar como gente que foi adquirida por Deus. Ele quer levantar um povo que esteja comprometido com ele até o pescoço. Compromisso este que se manifesta em todas as áreas da experiência humana, isto é, no trabalho, no lar, na escola, nos relacionamentos interpessoais, etc.

Como povo de Deus, nosso propósito é anunciar as grandezas de Deus. Muitos já receberam esta incumbência durante o transcorrer da história humana. Vejamos quais são:
     1.  Adão falhou como indivíduo encarregado de levar adiante este propósito (Gn 3)
      2. Israel falhou como nação encarregada de atingir tão elevado objetivo (Rm 11.7)
      3. A Igreja recebeu a incumbência final de estabelecer o Reino de Deus na Terra e não pode falhar (Atos 15.16-18)

Tudo o que Deus deseja fazer na Terra, deseja fazê-lo pela Igreja, pois já lhe passou uma escritura de procuração (Mc 16.15-18). É através da Igreja que deve se desenvolver todo o projeto de ação social a ser feito em nome de Deus. Nossa sociedade precisa ser impactada por uma comunidade capaz de tornar-se uma representante digna do Senhor. Uma Igreja restaurada é o sonho desta geração de cristãos que buscam respostas na Palavra de Deus para entender os desígnios divinos para a Igreja.

Outro princípio importante extraído desta idéia de que somos um povo , é a unidade de nação. Paulo chama aos coríntios de crianças porque estavam divididos entre Paulo, Apolo e Cefas (I Co 3.1-3). O que é curioso, no entanto, é que, apesar de estarem divididos de acordo com suas preferências pessoais, os cristãos de Corinto permaneciam na mesma Igreja. Hoje, os cristãos além de terem suas preferências, estão espalhados em diversas denominações. Não conseguem suportar uns aos outros debaixo de uma mesma bandeira. Se Paulo tivesse de escrever algo parecido para nós, talvez concluísse que nem nascemos ainda.

Me parece claro que a Igreja era considerada como “Local” quando os cristãos de uma determinada cidade se reuniam para adorar e servir a Deus, isso significa que em uma cidade não deveriam existir várias Igrejas mas uma só. A Bíblia fala da Igreja como Corpo de Cristo, que reúne os cristãos de todos os lugares e de todas as épocas, mas também fala das Igrejas locais. “E passou pela Siria e Cilícia, fortalecendo as Igrejas (At 15.41).

Mesmo havendo grande número de Igrejas locais, as mesmas estavam amarradas umas as outras por alianças, sentindo-se ligadas organicamente. Fazendo parte do mesmo corpo e da mesma nação. Chamamos essas Igrejas de Igrejas aliançadas e isto pode acontecer apesar das divisões denominacionais, pois estamos acima delas.

A Igreja precisa ser restaurada a ponto de que os cristãos se aceitem e convivam com todos aqueles que Deus aceitou. Essa seria uma prova de maturidade espiritual que, sem dúvida, agradaria bastante o Senhor Jesus.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


O CORPO DE CRISTO

“...E sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todos” (Ef 1.22-23).

Nosso corpo é o meio através do qual nos comunicamos com o mundo dos homens. Se não tivéssemos corpo, dificilmente poderíamos estabelecer contato com o mundo físico. A Igreja é o corpo de Cristo, sendo, portanto, o modo como Ele se comunica com os homens. 
“Vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo” (II Co 3.3). 

É através de nós que os homens ficam conhecendo os pensamentos de Deus. Somos a voz, os braços e as pernas de Jesus.
A vida de Deus está na Igreja e nem tanto nos indivíduos. Indivíduos se apropriam da vida que circula na Igreja. Quando Paulo diz aos coríntios para procurarem com zelo os melhores dons, está falando à Igreja e não a indivíduos.

Um grupo pode parecer-se e até mesmo comportar-se como uma Igreja sem, contudo, ser uma Igreja. Há nas suas reuniões os mesmos elementos litúrgicos que existem na Igreja verdadeira, mas falta o principal, que é a visão de corpo. Há cânticos, há leitura da Palavra, há pastores e há orações, mas tudo isso não faz daquele grupo uma Igreja.

Podemos ser dois ou três e formarmos uma Igreja, mas podemos ser dois, três ou milhares e não sermos uma unidade, mas apenas um monte de gente reunida em um mesmo local. No corpo de Cristo, de certa forma, perdemos nossa individualidade e passamos a fazer parte do todo. “Somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

Ao escolher um grupo para freqüentar, é preciso avaliar se ele é realmente uma Igreja. Muitos ficam impressionados pela pregação, pelo louvor e pelo volume de pessoas presentes, mas se esta massa de gente não constituir um só corpo, então ainda não é uma igreja. Um corpo dividido transforma-se em um cadáver e ao invés de termos o Corpo de Cristo, temos o cadáver de Cristo. Antes de agir através do seu Corpo, Jesus quer reconstruí-lo.

No corpo há membros e há também outros elementos que não fazem parte integrante do corpo, mas convivem com ele beneficiando-se, prejudicando ou até mesmo ajudando-o. São os parasitas, os micróbios, os vírus e as próteses.

Através da Igreja Deus age no mundo, manifestando-se pelos ministérios e serviços que são realizados por seus membros. Na medida em que o corpo cresce em tamanho e em maturidade, manifesta seus dons mais eficientemente, pois cada membro vai reconhecendo seu lugar no corpo.

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, do qual todo o corpo bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef. 4.15-16).

O corpo visa não apenas uma comunicação externa, mas também um desenvolvimento dele próprio. O objetivo é alcançar crescimento em várias áreas:
1.      
      Unidade da fé
2.      Pleno conhecimento do Filho de Deus
3.      Perfeita varonilidade
4.      Medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13).

Um corpo que não se desenvolve, acaba sendo levado por todo vento doutrinário, modismos teológicos, mas sem qualquer conteúdo de genuína espiritualidade. Somos o meio escolhido pelo qual Ele se manifesta ao mundo. Alguém que não foi autorizado pela Igreja Corpo de Cristo ou que não tenha por detrás de si a autoridade de um corpo local, não tem direito de falar ao povo em nome de Deus.

Não são nossos carismas, muito menos nosso conhecimento, diplomas ou capacidade de comunicação que nos autoriza a falar por Deus, mas sim o fato de termos sido enviados pela única representante de Cristo na terra: A Igreja (At 13.1-3).

A Igreja, portanto, assume nestes últimos dias o importante papel de representar o Senhor Jesus diante do homem comum, dos reis e dos poderosos deste mundo. Para tanto, é necessário que assuma um comportamento digno daquele a quem ela representa (Ef 4.1).

Este é um bom momento para restaurar na Igreja a visão do que significa ser um Corpo bem ajustado e consolidado, que com a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio crescimento em amor.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


ANDAR COMO COMEÇOU

Acredito que nossa caminhada cristã depende muitíssimo do modo como começamos a andar. “Assim como recebestes a Cristo Jesus, assim também andai nele” (Cl 2.6). Paulo parece estar tentando dizer que se começarmos mal, continuaremos mal; se começarmos bem, continuaremos bem. Se você recebeu Jesus da forma errada, continuará estabelecendo seu relacionamento com Ele em bases enganosas. Se você recebeu a Jesus como Senhor, então continuará se relacionando com Ele como tal.

O Evangelho da graça, inventou muitas formas diferentes de se receber a Jesus. A forma mais comum é recebê-lo como Salvador. Afinal, quem não precisa de um salvador? Um Deus que está sempre atrás de nós, pronto para salvar-nos sempre que passarmos por situações embaraçosas. Pois, é, se você começou assim com Ele, assim você vai andar nele.

Alguns chegam a tratar o Senhor como Aladim tratava com a sua lâmpada maravilhosa. Sempre que passava por alguma situação aflitiva, pegava sua lâmpada, esfregava, fazia o pedido ao gênio e recolhia a lâmpada até que precisasse dele novamente. É um tipo de Deus assim que a Igreja tem pregado durante séculos. Jesus salva, Jesus cura, Jesus atende nossas fraquezas, Jesus dá isso, aquilo e tudo o mais que você quiser.

Temos desenvolvido uma visão tão deformada de Jesus que alguns chegam mesmo a aceitá-lo como se estivessem fazendo-lhe um grande favor. É que alguns pregadores apresentam-no como um pobre coitado, sofrendo numa cruz maldita, cheio de pregos pelo corpo, agonizando em meio a zombarias e até mesmo impotente diante de seus poderosos inimigos. Chegam a dizer: “Dê uma chance para Jesus”.

Sei de pessoas que “aceitam a Jesus” por misericórdia do pregador. É que, depois de vê-lo fazer vinte minutos de apelo e entoar várias estrofes de um hino sem que qualquer pessoa venha à frente, resolvem dar uma força ao pregador e acabam indo à frente. Se começarmos uma igreja desta forma, é assim que ela irá andar.

Talvez seja por isso que é tão difícil levar o povo a realizar tarefas como evangelizar, visitar, construir, dar dízimos e ofertas ou coisas do gênero, pois, afinal, nós apresentamos um Jesus que salva e não um Jesus que manda. É preciso restaurar nossa mensagem e começar a pregar o Evangelho do Reino.

Quem escolheu primeiro

Creio mesmo que essa história de aceitar a Jesus está muito mal contada. Para início de conversa, precisamos saber quem precisa aceitar quem? “Vós não me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos designei para que vades e deis frutos” (Jo 15.16).
Chegamos desta forma à conclusão de que quem carece de misericórdia somos nós e não Deus. Ele é soberano e não podemos nos esquecer disto. É Ele mesmo que tem o direito de escolher com quem deseja conviver. Nossa salvação depende mais de Deus do que de nós. 

Não podemos esquecer que fomos eleitos antes mesmo da fundação do mundo (Ef 1.4). Minha salvação está baseada na morte expiatória do Senhor e não na minha decisão de aceitá-lo. A iniciativa foi toda dele; a minha parte é receber pela fé.

Outro detalhe que precisamos esclarecer é que Jesus torna-se Salvador de todos aqueles que o reconhecem como Senhor. “Se com tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”
Estamos vivendo dias em que esta mensagem, que leva as pessoas a se submeterem ao senhorio de Jesus, está sendo recuperada pela igreja. É hora de fazermos com que todos saibam que Jesus é o Senhor.

Interessante como o Senhor Jesus, ao chamar alguns de seus futuros discípulos, foi tão incisivo. Para Levi, diante da porta da coletoria Ele foi direto ao assunto: Segue-me! (Mc 2). Com Zaqueu, não usou de subterfúgios, mas disse: “Zaqueu, desce depressa” (Lc 19.1-10). A outros, simplesmente disse: “Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19). Jesus estabeleceu um início de relacionamento com seus seguidores mais chegados com base no fato de que Ele é quem mandaria dali para a frente.

O Senhor tem decretos estabelecidos para todas as áreas de nossa vida. No casamento, no trabalho, nos nossos relacionamentos, no uso da nossa língua, na forma como lidamos com nossos filhos e na forma como lidamos com nossos pais. Ele quer interferir em tudo. Ele ganhou esse direito na cruz, pois foi lá que pagou o preço da nossa submissão, (I Pe 1.18-19).

É para estes, que se submetem ao seu reinado, que Ele concede tudo o mais. Provavelmente esteja aqui o motivo de todas as orações não respondidas. Este evangelho festivo, mais disposto a pedir do que a comprometer-se, não é eficiente para produzir real transformação em nossas vidas.

As condições de nosso relacionamento com Deus são estabelecidas por Ele mesmo. Jesus quer dominar sua vida para enriquecê-la e dar a você um propósito definitivo. O processo de estabelecimento do trono de Deus nos corações humanos é um processo onde, passo a passo, Ele vai tomando conta de novas áreas, que antes eram inacessíveis em nosso interior. Tudo começa com uma disposição de nossa parte, disposição esta que vai tomando forma mais prática em nosso dia a dia.

Conhecer este Evangelho do Reino é conhecer a mensagem de Deus na sua forma mais pura. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


TOMAR O JUGO DO REI CELESTIAL

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11.29-30).

Tomar o jugo do Senhor é tomar a vontade do Pai. Não é ser controlado ou regulado por qualquer obrigação da lei ou da religião, nem ser escravizado por qualquer obra, mas ser constrangido pela vontade do Pai.

O Senhor Jesus viveu tal vida, não se importando com nada senão com a vontade de Seu Pai (Jo 4.34; 5.30; 6.38). Ele se submeteu totalmente à vontade do Pai (Jo 26.39). Por isso Ele nos pede para aprender d’Ele. A vontade de Deus é o nosso jugo. Assim, não estamos livres para fazer o que nos agrada; antes estamos sob jugo.

O jugo do Senhor é a vontade do Pai, Seu fardo é realizar a vontade do Pai. Tal jugo é suave, não penoso, e o Seu fardo é leve e não pesado. Não conheço um único filho de Deus obediente e que ama a Deus de verdade que reclame do jugo do Senhor. Pelo contrário, quem reclama geralmente não é submisso e nem humilde.

No versículo 29 o Senhor nos fala de aprender d’Ele. Ele é manso e humilde de coração. Ser manso significa não resistir ao mandamento ou ordem, e ser humilde significa não se considerar em alta conta. Jesus submetia-se totalmente à vontade do Pai, não pretendendo fazer algo por si nem tentando obter algo para si. Por isso, apesar da situação, Ele tinha descanso no coração. Ele estava totalmente satisfeito com a vontade do Pai.

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Cristo Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.5-11).

Cristo, o Rei celestial, sempre se submeteu à vontade do Pai, tomando a vontade de Deus como Sua porção e não resistindo a coisa alguma. Assim, Ele descansava todo o tempo e hoje também descansa ao lado do Pai em Sua glória. Devemos aprender d’Ele e também ganhar essa visão. Se o fizermos teremos descanso em nossa alma.

Quando nos submetemos a Cristo, somos guiados exatamente no caminho e na obra que é justa diante de Deus. Quando decidimos levar Jesus Cristo a sério e quando cremos n’Ele e fazemos o que Ele diz, obedecemos o evangelho e vivemos como verdadeiros discípulos. Só assim estamos indo a Ele... estamos tomando o seu jugo... estamos aprendendo e estamos encontrando descanso para as nossas almas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


O EVANGELHO DO REINO DE DEUS

“Este Evangelho do Reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. Mt 24.14.

Acredito piamente que estamos vivendo um momento de restauração para a Igreja de Jesus Cristo. A hora da festa das bodas está chegando, quando o Senhor virá buscar sua noiva, a Igreja, para com ela estabelecer uma relação eterna. Enquanto esperamos este grande acontecimento, temos a tarefa de pregar um Evangelho capaz de produzir transformações significativas na vida das pessoas.

Para tanto, é preciso restaurar a natureza da nossa pregação. Ao invés de anunciar um evangelho diluído, anunciar o Evangelho do Reino. Proclamar que o governo de Deus está acontecendo em nossos dias, é tarefa prioritária da Igreja.

O Reino de Deus se manifesta de 3 formas: Geográfica, política e espiritualmente. Entendemos por manifestação geográfica, a extensão territorial do governo de Deus. “E o Senhor será rei sobre toda a Terra; naquele dia, um será o Senhor, e um será o seu nome” (Zc. 14.9). Naquele dia não haverá um milímetro de terra que não esteja sob o controle absoluto do Senhor. Até mesmo aqueles recantos mais obscuros do planeta e lugares até então inexpugnáveis, experimentarão o governo do verdadeiro Leão.

Chamamos de manifestação política, a instalação da teocracia como forma de governo para todas as nações da Terra. “Acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte do Senhor, será estabelecido como o mais alto dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a Ele todas as nações” (Is. 2.2). Os governantes da terra serão escolhidos pelo próprio Deus e não pelo povo, como tem sido até agora.

Essas manifestações futuras do governo de Deus são esperadas já há muito tempo pelos pais e pelos profetas do Velho Testamento. É a chamada esperança messiânica. Esta esperança ainda queima no coração dos judeus ortodoxos. Talvez seja por isso que ainda não tenham percebido que o seu Messias já veio, pois esperavam por um governo literal e físico, que não aconteceu quando Jesus apareceu neste planeta. Isso não ocorreu porque ainda não era o tempo. O governo de Deus ainda está por vir. O Reino futuro do Messias, sobre todos os lugares e sobre todas as pessoas, é uma esperança que compartilhamos com o povo israelita.   

 Como cristãos cremos, porém, em uma manifestação presente do Reino de Deus. Foi o próprio Senhor quem disse: “O tempo está cumprido, e é chegado o Reino de Deus” (Mc,1.15). A manifestação tão esperada do Reino aconteceu em Jesus. Pode ser que no seu coração aconteça a mesma dúvida que passava nas mentes dos fariseus que, apesar de estarem face a face com o seu Rei insistiam em indagar quando seria instalado o Reino, já que não havia qualquer manifestação geográfica ou política do mesmo.

A estes Jesus respondeu que: “O Reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Hei-lo aqui!” A manifestação presente do Reino divino se faz nos corações daqueles que se rendem diante do senhorio de Jesus.

Por conta de uma interpretação dispensacionalista, temos fragmentado a Escritura, repartindo-a em épocas e povos. Isso tem causado confusão na mente das pessoas despreparadas, que não conseguem discernir o que estão lendo. Esta teologia prega dois Evangelhos: O Evangelho da Graça e o Evangelho do Reino. Alegam que o Evangelho da Graça é para hoje, enquanto que o Evangelho do Reino é para um tempo futuro.

Sinceramente, desconheço esta dupla definição do Evangelho nas Escrituras. Sei, no entanto, que é bem mais fácil conseguir adeptos quando se prega o Evangelho da Graça. Afinal de contas, quem não quer uma graça, não é mesmo? A graça tem a ver com o receber, enquanto que o Reino estabelece o domínio de Deus sobre minha vida e requer compromissos de minha parte para com o Rei. Muitos fazem com o Evangelho o mesmo que muitos de nós fazemos com um sanduíche: come-se o recheio e joga-se o pão fora. 

Queremos as bênçãos, mas não estamos dispostos a assumir nossos deveres de súditos. Gostamos muitíssimo de ler o salmo 23 e nos deleitamos com a ideia de que temos um pastor divino que nunca deixará que nos falte coisíssima alguma. Ficamos a imaginar os pastos verdejantes, as águas tranquilas, a mesa farta e o cálice que transborda. Tudo isso, porém, só será possível se o Senhor for o nosso pastor. Antes de tê-lo como pastor, devo tê-lo como Senhor. Somente assim é que podemos ter acesso a tudo aquilo que o salmo do pastor nos oferece.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013


OS DONS E O MINISTÉRIO

Existe um bom e renovado interesse hoje na questão do ministério e na charismata (dons do Espírito), que equipa e qualifica o povo de Deus para o ministério. Todos os dons espirituais (e existem muitos) tencionam algum tipo de ministério. Eles são dados para serem usados “para o bem comum”. O propósito é edificar a igreja – o corpo de Cristo – para que ele cresça até a maturidade.

Os dons que devem ser buscados e desejados, no entanto, são os dons de ensino, já que é por meio deles que a igreja é mais “edificada” ou fortalecida. O dom de ensino certamente é necessário para que aqueles que são responsáveis pelo cuidado pastoral da igreja local. Devemos examinar tanto a natureza do ministério quanto as qualificações necessárias para ele.

O ministério “ordenado” é essencialmente um ministério “pastoral”, e um ministério “pastoral” é um ministério de “ensino”. O ministro é um pastor a quem Deus, o pastor maior, confiou o cuidado de parte do rebanho e o incumbiu especificamente de alimentá-lo (ou seja, ensiná-lo).

A responsabilidade fundamental dos presbíteros locais é “apresentar todo homem perfeito em Cristo”. E para o cumprimento desse objetivo eles precisam proclamar Cristo em sua totalidade, “advertir” e ensinar a cada um com toda a sabedoria. É por meio do conhecimento de Cristo, como ele é retratado nas Escrituras e proclamado pelo ministério, que os cristãos chegam à maturidade espiritual.

Cada responsável pelo ministério pastoral precisa possuir tanto a fé bíblica quanto o dom para ensiná-la. Ele precisa se apoiar firmemente na palavra ensinada de acordo com o ensino dos apóstolos, para que ele seja capaz de dar instruções sobre a sã doutrina e também refutar os que a contradizem. Ele deve ser também um “professor apto”. Essas são duas qualidades indispensáveis.

Isso o fará envolver-se com o estudo, tanto na preparação para o ministério quanto no exercício dele. É imprescindível que aqueles que querem se submeter a Deus como ministros o façam em todos os aspectos, segundo Paulo; não apenas com perseverança ou trabalho árduo, não apenas com pureza, determinação, bondade e amor, mas também com “conhecimento”.

Que Deus chame mais homens para o ministério do ensino hoje; que ele chame homens com mentes atentas, convicções bíblicas e uma aptidão para ensinar; que eles exerçam um ministério reflexivo, de ensino sistemático, expondo as Escrituras antigas e relacionando-as com o mundo moderno; e que tal ministério de fé, sob a boa mão de Deus, não apenas leve a própria congregação à maturidade cristã, mas também espalhe benção para longe, de forma mais ampla, por meio daqueles que estarão sob a influência do seu ensino.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


A ORIENTAÇÃO DO CRISTÃO

Que Deus quer guiar o povo dele e é capaz de fazê-lo é um fato. Sabemos disso pelas Escrituras, por causa das promessas (por exemplo, Provérbios 3.6: “Ele endireitará as suas veredas”), dos mandamentos (por exemplo, Efésios 5.17: “Não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor”) e das orações (por exemplo, Colossenses 4.12: “Como pessoas maduras e plenamente convictas, continuem firmes em toda a vontade de Deus”).

Porém, como descobrimos a vontade de Deus? Alguns cristãos dizem convictos: “O Senhor me disse para fazer isso” ou “o Senhor me chamou para fazer aquilo”, como se eles tivessem uma linha exclusiva com o céu e estivessem em direta e contínua comunicação telefônica com Deus. Acho difícil acreditar neles.

Outros pensam que vão obter uma orientação detalhada de Deus por meio das mais engraçadas interpretações das passagens da Bíblia que ignoram o sentido natural, violam o contexto e não têm base nem uma exegese segura nem no senso comum.

Se quisermos discernir a vontade de Deus para nós, devemos começar fazendo uma distinção importante entre a vontade “geral” e a vontade “particular” dele. A vontade “geral” de Deus é assim chamada porque é a vontade dele para o povo que lhe pertence, em todos os tempos, enquanto a vontade “particular” de Deus talvez seja assim chamada porque envolve uma vontade para um povo específico em épocas específicas.

A vontade geral de Deus para nós é que nos tornemos a imagem do Filho. A vontade particular de Deus, por sua vez, envolve certas questões, como a escolha de um trabalho e um parceiro e o uso de nosso tempo, do nosso dinheiro e de nossa vocação.

Uma vez feita essa distinção, estamos prontos para repetir a pergunta sobre como descobriremos a vontade de Deus. A vontade geral de Deus já foi revelada nas Escrituras. Não quer dizer que seja sempre fácil discernir a vontade dele nas complexas situações éticas da atualidade. Precisamos ter princípios seguros de interpretação bíblica. Precisamos estudar, discutir e orar. Ainda assim, é verdade, considerando a vontade geral de Deus, que a vontade de Deus para o povo dele está na Sua Palavra.

Porém, a vontade específica de Deus não é encontrada na Bíblia, pois esta não se contradiz, e está na essência da vontade particular de Deus que ela seja diferente para diferentes membros da família dele. Certamente encontraremos na Bíblia alguns princípios gerais para orientar nossas escolhas particulares. Não podemos negar, no entanto, que alguns cristãos ao longo dos anos receberam orientações bem detalhadas por meio das Escrituras. Ainda assim, reiteramos que essa não é a forma usual de Deus.

Como então, você poderá decidir sobre questões sérias como casamento, negócios, e outras? Existe apenas uma resposta possível, que é usar a mente e o senso comum que Deus lhe deu. Certamente você vai orar pela direção de Deus. Se você for sábio, pedirá conselhos a pessoas maduras que conhece bem. Porém, no final, você precisará decidir, confiando que Deus vai orientá-lo por meio de seu próprio processo mental.

O Salmo 32.8-9 nos fornece um ótimo exemplo do equilíbrio da Bíblia. O versículo 8 contém um apelo à orientação divina: “Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você”. Porém, o versículo 9 imediatamente completa: “Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimento, mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem”.

 Em outras palavras, apesar das promessas de Deus de nos guiar, não devemos esperar que ele o faça da mesma forma como nós guiamos cavalos e mulas. Ele não usará freios nem rédeas conosco, pois não somos cavalos nem mulas, somos seres humanos. Temos entendimento – algo que os animais não têm. Então, é pelo nosso entendimento, esclarecido pela Bíblia, pela oração e pelo conselho de amigos que Deus vai nos levar ao conhecimento da vontade particular dele para nós.

É urgente nos atentarmos para essa advertência da Bíblia. Jamais devemos agir por impulso irracional ou emocional, em vez de usar a mente dada por Deus. Vale lembrar das palavras de Bernard Baruch: “Todas as falhas que encontrei, todos os erros que cometi, todas as tolices em que me meti, na vida pública ou particular, foram conseqüência de agir sem pensar”.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

ATITUDES


De vez em quando somos assolados pela idéia de que a nossa vida seria bem menos complicada se não estivesse tão povoada, e não restam dúvidas de que é sempre mais fácil colocar a culpa nos outros pelas nossas contrariedades.

Mas a verdade é que, ninguém vive sozinho. Não podemos descartar as pessoas. Precisamos encontrar mecanismos que possibilitem a longevidade de nossas convivências. Vinícios de Moraes escreveu que:

“A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, ou que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, absoluto em si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre”.

Mas é bem verdade que não são muitos os que sabem conviver. Meus muitos anos de prática pastoral são suficientes para me ensinar a diferença entre amar os relacionamentos e amar as pessoas com quem nos relacionamos. Aqueles que amam os relacionamentos pulam de um para outro toda vez que surge uma tensão que demandaria esforço para a solução.

Raciocinam em termos de custo-benefício. Calculam o preço que precisam pagar para manter aquele relacionamento e geralmente optam por encerrar a convivência e buscar outra pessoa com quem se relacionar. Isso é comum entre casais, entre sócios e até mesmo entre amigos.

Isso acontece porque nem todas as pessoas estão dispostas a rever posturas, atitudes, comportamentos e convicções. São as que dizem: “Eu nasci assim, quando você me conheceu eu era assim, e quando decidiu ficar comigo sabia que eu era assim”. A resposta óbvia seria: “É verdade, eu sabia que você era assim, mas não imaginei que você pensasse em si mesmo como obra acabada”.

Quem ama relacionamentos não tem disposição para mudar, ceder, deixar-se transformar, pois se satisfaz, ou pensa que se satisfaz, enquanto o relacionamento é satisfatório. Quando o relacionamento começa a gerar desconforto, então, dizem “não” ao relacionamento e trocam de par. Na verdade essas pessoas não amam apenas os relacionamentos, amam a si mesmas. Tudo o que querem é sua satisfação, em seus termos. Enquanto o outro, qualquer que seja ele, satisfaz, o relacionamento perdura. Quando o relacionamento começa a exigir ajustes, e cada um é convidado a dar passos para trás, o fim fica cada vez mais próximo.

Os que amam as pessoas com quem se relacionam, entretanto, estão dispostos a focalizar o relacionamento em detrimento de focar as imperfeições de seus pares. As perguntas que fazem não são “onde você está errado ou errada?” ou “o que você precisa mudar?”, mas sim “por que não estamos conseguindo uma relação satisfatória?” e “o que podemos fazer para continuarmos caminhando juntos?”.

Isso demonstra sabedoria e maturidade. O foco no relacionamento, em detrimento do foco nas pessoas, revela a consciência que desmascara a ilusão do parceiro perfeito. Quem vive trocando relacionamentos não apenas está se recusando a mudar, mas provavelmente acredita que existe sempre alguém mais adequado e capaz de lhe satisfazer.

Não existe par perfeito. Existe, sim, convivência equilibrada. Em outras palavras, não existe isso de dizer “você não é a pessoa certa para mim” ou “você não tem a qualidades que espero de um amigo”. O correto seria dizer: “infelizmente, não conseguimos desenvolver uma parceria satisfatória. Mas, depois dessa conclusão, os pares deveriam sentar e dizer um ao outro que, por não amarem o relacionamento, nem a si mesmos no relacionamento, mas por amar um ao outro, estão dispostos a fazer quaisquer sacrifícios necessários para que não percam um ao outro.

A discussão passa a ser a dinâmica da convivência. Não estão em busca de um par melhor, mas sim de um jeito melhor de ser um par. Não querem outro parceiro. Querem outra parceria com o mesmo parceiro.