segunda-feira, 22 de outubro de 2012

AS SETENTA SEMANAS NA VISÃO DO PROFETA DANIEL


O livro de Daniel tem por tema central a revelação do destino do governo humano na economia de Deus. Desde Ninrode, em Gênesis, até o anticristo em Apocalipse, a história da humanidade relacionada com o povo de Israel, está relatada em Daniel.

O conteúdo das visões e revelações proféticas, contidas no livro do profeta Daniel, constituem uma fonte inesgotável de conhecimento da parte de Deus para o Seu povo. Não pretendemos enfocá-lo em sua totalidade, mas vamos nos ater ao capítulo 9. Daniel 9 contém o mistério das setenta semanas que revelam as coisas que haveriam de acontecer ao povo de Israel após a ordem da reedificação da cidade de Jerusalém.

A partir da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, Deus determinou “setenta semanas” sobre o povo de Israel:

 “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas” (Dn 9:24-25).  

A ordem para a reconstrução a que se refere a profecia foi dada por Artaxerxes I, e essa história é narrada no livro de Neemias. A partir dessa ordem haveria setenta semanas de sete anos, isto é, quatrocentos e noventa anos, determinados sobre Israel. A duração desde a ordem até o final da edificação de Jerusalém seria de sete semanas, ou seja, quarenta e nove anos. Esse período foi descrito assim: “As praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos” (v. 25b).

A palavra profética continua: “Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido, e já não estará” (v. 26ª). A morte do Ungido é a crucificação do Senhor Jesus. Da conclusão da reedificação de Jerusalém até a crucificação de Cristo passaram-se sessenta e duas semanas de sete anos. Nesse ponto se interrompe a profecia sobre a história do povo de Israel. Portanto, das setenta semanas já se cumpriram até aqui sessenta e nove. A interrupção da profecia marca o momento em que a Igreja do Senhor começou a ser edificada. Esse período é a era da igreja, que já dura mais de dois mil anos. Essa “inserção” durará até um pouco antes da segunda vinda do Senhor, quando então se iniciará a contagem de tempo da última semana, que irá concluir a história de Israel.

O Pensamento Central

O pensamento central de Daniel é o Cristo glorioso, revelado no capítulo 10. Esse Cristo é o personagem central da economia de Deus: “Segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3:11). Na segunda vinda de Cristo, Ele destruirá a grande imagem e finalizará a história de Israel. Nesse livro Cristo é a centralidade e a universalidade da economia de Deus.
Cristo, como centro da economia de Deus, cumpriu, está cumprindo e cumprirá todas as etapas necessárias para que o propósito eterno de Deus seja concluído. Essas etapas são as principais:

a.     Por fim à Velha Criação

No final das sessenta semanas o Ungido foi morto. Na Sua morte na cruz Cristo pôs fim à velha criação: “Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” (Rm 6:6).

b.     Gerar a Igreja

Mediante a Sua morte e ressurreição, Cristo gerou a igreja, fazendo germinar a nova criação: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II Co 5:17). A era da Igreja durará até meados da última semana, quando então se dará a vinda do Senhor Jesus.

c.     Destruir o Governo Terreno

Na Sua segunda vinda, Cristo virá como a pedra que esmiuçará a grande imagem humana, a qual representa a totalidade de todo governo humano. Essa pedra, no entanto, não será Cristo somente, mas Cristo e os santos vencedores. Essa pedra se tornará uma grande montanha que encherá toda a terra, introduzindo assim o reino eterno de Deus: “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos... O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho e fiel a interpretação” (Dan 2: 44-45).

d.    Estabelecer o Reino Eterno de Deus

Quando Cristo voltar, estabelecerá o reino eterno de Deus. Apocalipse 11:15 diz: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.”

No capítulo 9, de 24 a 27 Daniel registrou uma das mais abrangentes profecias encontradas nas Escrituras. Esta revelação deve ser colocada ao lado de outras profecias, sobre os gentios, previamente delineadas em Daniel. A cronologia e a seqüência dos eventos no tempo dos “gentios”, como as 70 semanas, acham seu clímax na segunda vinda de Cristo, para estabelecer o Milênio sobre a terra.

Daniel foi informado sobre como Israel se relacionaria cronologicamente a esse mesmo período da cronologia gentílica. O anjo Gabriel declarou: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo (judeus) e sobre a tua santa cidade (Jerusalém), para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para fazer justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos” (v 24).

O anjo apresentou a profecia como um todo e falou de um período que ele denominou “70 semanas”. A maioria dos eruditos concorda que as unidades de tempo são anos; em outras palavras, 70 semanas perfazem 490 anos. Os eruditos conservadores geralmente concordam que o número sete está relacionado, com freqüência, a uma grande obra de Deus.

Outra decisão importante na interpretação desta passagem é a questão do início dos 490 anos. Isso é descrito em Daniel 9.25: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se edificarão, mas em tempos angustiosos”.

Se a ordem refere-se a um decreto político, quatro determinações diferentes são sugeridas:
1 – o decreto de Ciro que permitiu a reconstrução do templo em 538 a.C. (2 Cr 36.20-23; Ed 1.1-4; 6.1-5)
2 – o decreto de Dario que confirma o decreto de Ciro (Ed 6.6-12);
3 – o decreto de Artaxerxes (Ed 7.11-26); e
4 – o decreto de Artaxerxes, registrado em Neemias, que autoriza a reconstrução da cidade (Ne 2.1-8).

De qualquer maneira, a cidade e sua muralha não foram reconstruídas até o tempo de Neemias (445 ou 444 a.C). Os estudiosos diferem quanto à data exata do decreto: se é o último mês de 445 a.C. ou o primeiro de 444 a.C. Embora a diferença persista, a explicação mais plausível é a data de 444 a.C., porque proporciona um cumprimento preciso da profecia e coincide com a reconstrução real da cidade. Esta interpretação oferece a explicação mais literal, sem ignorar detalhes específicos da profecia.

Se 444 a.C. for aceito como o início dos 490 anos, os 483 anos culminariam em 33 d.C. , onde a erudição mais recente colocou a data provável da morte de Cristo. Ficam faltando a última semana (7 anos).      

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O AMOR INCONDICIONAL DE DEUS


Se atentarmos para o capítulo 2 da Carta aos Efésios veremos um manancial de graça: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos” (vs. 4-5).

Graça é o amor de Deus em ação para com aqueles que não o merecem. E esse amor é manifestado como graça, oferecido a nós na vida e morte de Cristo. Por isso Deus não diz: “Eu te amo porque... Eu te amo visto que; Eu te amo contanto que, ou, Eu te amarei se...; Eu te amarei quando...; Eu te amarei depois de...; Eu te amarei uma vez que...; Eu te amarei supondo que...”

Qualquer afirmação desse tipo faria que o amor divino fosse condicional, significaria que o seu amor seria causado por algo em nós: nossa atratividade, nossa bondade, nossa amabilidade. O inverso significaria que poderia haver algo em nós que faria Deus parar de nos amar.

O amor de Deus para conosco é incondicional; não é um amor que algo bom em nós tenha suscitado em Deus. Ele brota de Deus por causa da sua natureza. O amor divino é uma ação para conosco, não uma reação a nós. O seu amor não depende do que somos, mas do que ele é. Ele ama porque ele é amor.

Nós podemos rejeitar o amor de Deus, mas não podemos fazer com que ele para de nos amar. Podemos rejeitá-lo e, dessa forma, impedir que ele penetre em nós, mas não podemos fazer nada para interromper o seu fluir de dentro de Deus. Graça é o amor incondicional de Deus em Cristo, concedido livremente ao pecador, indigno e imperfeito.

Quero dar ênfase à palavra imperfeito para o bem dos cristãos orientados pelo bom desempenho, que muitas vezes levantam uma importante pergunta: “Mas o que acontecerá se eu fracassar? E se eu cair?”
Fazer a pergunta: “E se eu fracassar ou cair?” é mais uma vez acorrentar o amor incondicional de Deus e mudar a natureza da graça como favor imerecido e inconquistável. Se o nosso fracasso pudesse impedir a graça, tal graça não existiria. Pois a base da graça é a cruz de Cristo, e na cruz todos nós fomos julgados como fracasso total.

Não é uma questão de fracassos eventuais aqui e ali. No que toca à nossa habilidade de transpor o abismo moral, e conquistar a aprovação de um Deus santo, nós somos fracassos totais. Na cruz todos nós fomos examinados e falhamos completamente!

É sobre isso que fala os primeiros capítulos de Romanos. Quer sejamos fazedores do bem, os judeus, que guardam todos os mandamentos, quer sejamos pecadores totais que os quebram a todos, os gentios, não faz diferença. Pois Deus em seu amor providenciou uma nova base para um reto (e justo) relacionamento com ele: o favor livre, imerecido, não conquistável e impagável, graciosamente oferecido a nós. Isso é graça.

E é nossa, se a recebemos. Isso é fé. Portanto, nem se levanta a questão de nosso fracasso ou sucesso. A base da salvação não é realizar, mas receber; não é desempenho perfeito, mas fé confiante.

“E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Romanos 11.6). 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

FINALMENTE LIVRE


“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firme e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gálatas 5.1).

A liberdade é a descoberta da verdade sobre você. A verdade traz consigo a liberdade. A verdadeira liberdade o tornará livre para se tornar tudo que você foi criado para ser. Ela dá liberdade para você trabalhar dentro das leis da vida. Sob o jugo da escravidão você está debaixo de outra lei. Um chicote é usado para garantir aquela lei. Mas quando você entra em liberdade, você tem que obedecer às leis internas. A pressão está em você, para que você mesmo mantenha essas leis. A liberdade é disciplina auto-imposta.

Se você fosse um escravo no século XIX, haveria uma lista de dez coisas que você teria que fazer diariamente. Quando você se levantasse pela manhã você saberia exatamente o que fazer. Você nem mesmo teria de pensar em seu dia, ou planejá-lo. Todas as suas manhãs seriam cronometradas minuto a minuto – seu opressor faria o planejamento.

Se algum dia você fosse libertado, sua vida iria mudar radicalmente. A primeira mudança é que você não teria mais aquelas dez regras. De repente você seria empurrado a um mundo com milhares de alternativas, e teria de escolher quais seriam as melhores para você. Você teria que viver sem ninguém para assisti-lo. Essa é a verdade para se viver livre.

Você tem que escolher suas próprias leis para viver livremente, e tem que viver com as conseqüências de suas escolhas. A liberdade se responsabiliza por sua vida. Ela projeta seu próprio destino e decide suas próprias conseqüências. Na liberdade não há ninguém para se responsabilizar por suas vitórias ou enganos, a não ser você mesmo.
Em sua primeira carta a Timóteo Paulo escreve:

“Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para os transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado” (I Tm 1.8-11).

Paulo nos diz que leis sempre serão necessárias para aqueles que agem irresponsavelmente. Quanto menos responsável você é, de mais leis você precisa. Quanto mais responsável você se torna, menos leis são requeridas, porque leis visam empurrá-lo para longe das suas exigências, para a produtividade da liberdade pessoal. As leis de Deus, em última instância, foram prescritas para conduzir os homens à liberdade. Você pensa que Deus ama leis como “Não furtarás”, “Não darás falso testemunho” e “Não cometerás adultério”? Eu acredito que Ele odeia essas leis.

Contudo, teve de estabelecê-las, uma vez que Adão infringiu e roubou o fruto proibido da árvore proibida. A sociedade é hoje tão corrupta que não pode lidar com a liberdade de ter uma lata de atum na prateleira. Alguém a roubará, se ela permanecer desprotegida. Deixe um celular em sua mesa na praia, e alguém virá tirá-lo de você. Por que? Porque as pessoas, como uma regra geral, não conseguem lidar com a liberdade. Sendo assim, Deus impõe a lei.

Pessoas jovens, em nossos dias, são irresponsáveis. Este é o motivo pelo qual precisam de leis, não de negociação, discussão ou compromisso. Elas não lidam bem com a liberdade. Infelizmente, a nossa sociedade autorizou a falta de leis para elas, dando-lhes direito de serem livres da penalidade da lei, e até mesmo da disciplina de seus pais.

Deus está consciente de que nós humanos precisamos de um sinal de “Não ultrapasse”, para nos manter fora da prisão. E os cristãos não são imunes. Se você pensa que cristãos renascidos e cheios do Espírito não quebram alguma vez os Dez mandamentos você realmente desconhece o que está acontecendo diariamente no mundo cristão.

Você ficaria surpreso ao ver quantos cristãos são capazes de roubar um grampeador ou levar para casa um pouco de papel de impressora, simplesmente porque “todo mundo faz isso”. A taxa de divórcio na igreja hoje é tão alta quanto no mundo. Alguns cristãos praticam coisas que são muito semelhantes às praticadas pelos que não professam a fé em Jesus Cristo. Esses cristãos não passam no teste do deserto.

Deus quer que todos os homens vivam livremente, acima da lei, limitados pelo mais elevado conjunto de princípios. A razão disso é que Jesus veio para todos os homens – a fim de salvar a todos. A verdadeira liberdade requer lei, porque liberdade sem lei é anarquia. A verdadeira liberdade opera com leis interiores, baseadas nos princípios de Deus. Em essência, então, autocontrole e autodisciplina são atributos da verdadeira liberdade, porque disciplina é lei auto-imposta. Isso é liberdade.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A LIBERDADE REQUER MAIS RESPONSABILIDADE QUE A ESCRAVIDÃO


Deus sempre afirmou que Israel seria invencível. O povo de Israel sempre avançou confiado nessa certeza. Foi assim que os muros de Jericó vieram abaixo. Após essa vitória poderosa, o próximo objetivo militar era a pequena cidade de Ai. O que eles não sabiam é que dentro de seus arraiais havia um homem que desobedecera ao comando de Deus, conforme está registrado em Josué 6.18:

Tão somente guardai-vos das coisas condenadas, para que, tendo-as vós condenado, não as tomeis; e assim torneis maldito o arraial de Israel e o confundais”

Jericó foi uma vitória surpreendente. Israel mandou sair os espiões para determinar o número de tropas que levariam para destruir Ai. Quando foram para o ataque, eles fugiram diante dos homens de Ai. Diz a Bíblia que os homens de Ai feriram uns trinta e seis israelitas (Js 7.45).

Deus garantiu a Israel no deserto que ganhariam toda guerra na Terra Prometida. Prometeu que estaria com eles e que conquistariam a terra. No entanto, agora, por causa de um homem por nome de Acã, a nação inteira teria que pagar o preço. Um homem quebrou a lei. Contudo, a Bíblia diz:

...Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zera, da tribo de Judá, tomou das coisas condenadas. A ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel (Js 7.1).

Josué ficou completamente confuso sobre aquela situação, e caiu sobre o seu rosto diante de Deus. “O que está errado?” – perguntou. Deus lhe respondeu que alguém havia quebrado a sua lei da proibição de Jericó. Deus ordenou que Josué convocasse todos os israelitas à sua presença:

Aquele que for achado com a coisa condenada será queimado, ele e tudo quanto tiver, porquanto violou a aliança do Senhor e fez loucura em Israel” (Js 7.14-15).

Acã foi descoberto e ficou totalmente queimado, mas antes disso, trinta homens morreram por causa da sua atitude irresponsável. Josué disse a Acã: 

“Por que nos conturbaste? O Senhor hoje te conturbará. E todo o Israel o apedrejou; e, depois de apedrejá-lo, queimou-os a fogo (Js 7.25).  

Um homem chamado Acã roubou e escondeu o que Deus instruíra Israel a não tocar. E em razão de sua ação individual a nação inteira foi responsabilizada. Em liberdade, tudo o que você faz afeta outras pessoas. Se você negligencia a respeito do seu ministério, em seu compromisso, em sua promessa aos outros ou em seu negócio, isso deixa de ser uma coisa pessoal. Você pode dizer: “Não vou aparecer esta noite”; “Não vou poder cumprir o combinado”. Em questão de liberdade, quando você não aparece ou falha, alguém se machuca.

A verdadeira liberdade não presume o direito de agir sem consideração aos efeitos que decisões pessoais possam ter sobre a liberdade dos outros. A verdadeira liberdade protege a liberdade dos outros e age responsavelmente em prol dos outros.

Você sabe de alguém que está administrando pecaminosamente a sua vida, vá pessoalmente a ele. Assuma a responsabilidade. Diga-lhe: “Ouça uma coisa, por favor: Tenho estado preocupado com você. Você tem vivido mal, tem cometido erros e injustiças, e eu quero que pare com isso, porque está prejudicando sua família, a comunidade, a igreja e as pessoas”. É hora de começar a ser responsável. É hora de ser responsável!

Você é responsável por se levantar e trabalhar em liberdade. É sua responsabilidade permanecer no trabalho, uma vez que você chega lá. Tem que fazer seu próprio orçamento e optar por não gastar dinheiro em guloseimas, quando há coisas mais importantes para pagar.

Você é uma pessoa em liberdade que consegue se alimentar com moderação. Você não deseja que Deus controle sua dieta? Sim. Eu detesto bufês, porque eles realmente testam minha responsabilidade. Quando ando diante daquela quantidade de comida, não há ninguém para me parar, e meu estômago grita: “Galinha com arroz, torta de morango!” É então que a realidade da liberdade de apetite realmente pode ser exercitada. A vontade é comer muito, mas seu cérebro diz: “Pare!”

Você não gostaria que Deus lhe dissesse o que comer, e o fizesse parar quando fosse suficiente? “Pronto, meu filho. Tu não comerás mais!” Isso não seria ótimo? Você teria um corpinho admirável. No entanto, Deus espera que você exerça a sua liberdade de escolha.

Autocontrole é um atributo da verdadeira liberdade com responsabilidade. Não se deixe abater pelos fracassos: “Maior é aquele que está em você do que aquele que está no mundo”. Você pode fazer todas as coisas por Cristo que o fortalece. Chegue lá fora e lute – tome aquela terra!”

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A FELICIDADE MILENAR


O sonho da maioria das pessoas é a felicidade. Esse estado de satisfação plena e beatitude é um alvo a ser atingido e, por isso, as pessoas trabalham, lutam, correm e até praticam atos desesperados.

Apesar de ser muito difícil esse estado de felicidade nos dias atuais, lemos nas profecias que no Milênio haverá possibilidade desse sonho ser atingido pela humanidade.

No Milênio, Satanás estará amarrado (Ap. 20.2), e Jesus estará no governo do mundo. Haverá justiça perfeita funcionando, os animais ferozes agirão mansamente e nada impedirá a humanidade de ser feliz; só se as pessoas não quiserem.   

Durante o Milênio haverá pessoas glorificadas e pessoas naturais. Os glorificados serão de três procedências: Os crentes do Antigo Testamento, os crentes da Igreja de Cristo e os mártires da Grande Tribulação, os quais estarão no Milênio por obra de Deus.

Os habitantes do Milênio, que estarão ali com seus corpos naturais, também são de três procedências: Os judeus que sobreviverem à Grande Tribulação, os gentios que também escaparem e as pessoas que irão nascer de forma natural no período milenar.

Haverá paz permanente porque o governante mundial é o Príncipe da paz e Ele não permitirá guerras; antes, Ele quer que todos vivam de forma pacífica. Naturalmente, nessas condições, os índices de violência cairão drasticamente e a sensação de segurança possibilitará uma convivência amigável e fraterna entre os povos da terra.

A economia passará por uma total reestruturação. Deixaremos de valorizar o “ter” em favor do “ser”, pois no reinado de Cristo serão praticados os princípios pregados por Ele. No Milênio a especulação e a voracidade pelo lucro serão julgadas com mão de ferro. Jesus colocará tudo em ordem, assim cremos.

A Bíblia diz que: “A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Is. 11.9). As nações subirão, de ano em ano, à Jerusalém para adorarem o Rei, o Senhor dos exércitos e para celebrarem a festa dos tabernáculos (Zac. 14.16). Nenhuma nação se arriscará a não enviar uma delegação a Jerusalém porque se assim acontecer, essa nação não terá chuva e as conseqüências serão terríveis (Zc. 14.17).

No Milênio, Deus governará todo o mundo a partir de Jerusalém. Por isso, é bom que venham representantes de todas as nações acampar nas proximidades da Cidade Santa, em sinal de respeito e obediência à autoridade real. Se alguém não corresponder, as conseqüências serão imediatas!

Que tempo glorioso será! 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O MODELO DE UM NAZIREU


Leitura bíblica: Números 6.1-12

O que é ser um nazireu? De acordo com o significado original, nazireu é alguém separado para Deus. É uma pessoa que se consagra a Deus voluntariamente. O Senhor Jesus aqui na terra viveu como um autêntico nazireu. Em todas as ocasiões, as sua atitudes eram tais quais a de um nazireu, andando conforme os quatro requisitos da lei do nazireado relatados por Deus a Moisés.

De acordo com Números 6, na consagração do nazireu, havia quatro requisitos de separação. Em primeiro lugar um nazireu não deveria comer nem beber nada proveniente da uva; em segundo, um nazireu não deveria rapar a cabeça. Em terceiro, não poderia ser contaminado por nada que estivesse morto, principalmente pela morte dos parentes mais próximos. Por último, em Números 6.9 está registrado que se algum homem morresse subitamente ao lado de um nazireu, ele ficaria contaminado.

O vinho ou qualquer produto proveniente da uva, o primeiro item das coisas de que o nazireu deveria abster-se significa prazer do mundo ou gozo terreno. Ninguém até hoje viveu uma vida tão separada dessas coisas como o Senhor Jesus. Ele era absolutamente santificado para Deus.

Um nazireu não poderia rapar a cabeça e deveria deixar crescer a cabeleira. Que significa isso? O cabelo é sinal de submissão, de obediência. O nazireu, portanto, precisava ser totalmente submisso à vontade de Deus. Nesse ponto, podemos ver porque o Senhor Jesus é um verdadeiro nazireu, a realidade do nazireado. Ele jamais rebelou-se contra a vontade do Pai. Filipenses 2 diz que Ele subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes a Si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo (v. 6, 7).

O Senhor Jesus sabia o que era obedecer (Hb 5.8). Por isso, Ele não tinha nenhuma opinião própria, mas confessou que toda a obra que realizava, era, na verdade o Pai que realizava. Ele apenas cooperava com o Pai. Em João 14.10 Ele disse:

“As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai que permanece em mim, faz as Suas obras”.

O terceiro item de separação referia-se às afeições naturais. Certa ocasião, quando estava ensinando a Seus discípulos, disseram a Jesus que sua mãe e seus irmãos estavam ali querendo falar-lhe. Ele então lhes respondeu:

“Quem é minha mãe e meus irmãos? (...) Eis minha mãe e meus irmãos. Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Como um nazireu o Senhor deixou de lado suas afeições naturais. Ele mesmo nos disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim, quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10.37). E Ele mesmo foi o primeiro a praticar o que disse.

Não queremos com isso dizer que devemos abandonar nossos amados familiares, mas, sim, que não podemos considerá-los mais do que o nosso Deus. Por fim, o nazireu devia estar apartado de toda morte espiritual. O Senhor Jesus quando morreu e desceu ao Hades, a morte não O pôde reter. Antes, Ele venceu a morte porque era cheio de vida, e até mesmo a própria Vida.

O princípio do nazireado é o da consagração voluntária. Não é uma questão de ser designado, ordenado ou até mesmo escolhido pelo Senhor, mas de consagração voluntária, motivada pelo amor ao Senhor. Todos podemos ser nazireus, apesar das profissões seculares. Há alguns, no entanto, que constrangidos pelo amor do Senhor, vendo a Sua grande necessidade, se dispõem a largar a sua profissão por certo tempo: seis meses, dois ou dez anos. Eles entregam seu tempo para participar das equipes de evangelização, a fim de resgatar os homens. Onde houver necessidade, eles se dispõem a ir. Tudo segundo a orientação do Senhor.

O voto de nazireu não é um voto comum, é um voto especial. É um voto de separar-se totalmente para Deus. Pedro, em sua primeira epístola, diz que os que de antemão passaram pela provação do fogo, quando forem julgados perante o tribunal de Cristo, receberão louvor e glória da parte do Senhor. O galardão deles será entrar no reino milenar para reinar com Cristo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

É IMPOSSÍVEL RENOVÁ-LOS PARA ARREPENDIMENTO


Vamos ler essa passagem do livro de Hebreus 6.4-6:

“É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento”.

Esses versículos descrevem uma pessoa que possui muitas qualificações. É impossível que ele seja uma pessoa não salva. Ela viu a luz, e viu o Deus revelado, o Unigênito do Pai; conheceu o amor de Deus e provou o dom celestial, o único dom, Jesus Cristo.

Na Bíblia, dons, como um substantivo plural, refere-se aos dons do espírito Santo, e dom, como um substantivo singular refere-se ao único dom, o unigênito Filho de Deus, como está em João 3.16. Esse dom é diferente dos dons do espírito Santo.

Essa pessoa não apenas tem Deus e o Senhor Jesus Cristo, mas também tornou-se participante do Espírito Santo. Ela conhece a Deus, provou do Senhor Jesus e tem o Espírito Santo vivendo dentro de seu espírito. Além disso, ela provou a boa palavra de Deus e os poderes da era vindoura.

Dizer que alguém provou os poderes da era vindoura significa dizer que ele provou as coisas do reino milenar. Portanto, esta pessoa é definitivamente uma pessoa salva.

Se tal pessoa deixa hoje a palavra de Cristo, que ela recebeu quando creu, e escorrega e cai, não há, segundo a mesma palavra, arrependimento para ela. Ela não poderá começar tudo de novo para crer no Senhor Jesus, pois já tem uma longa história com o Senhor. Ela recebeu muita chuva, porém caiu, não produz mais coisas boas para Deus, mas passou a produzir espinhos e abrolhos.

Tal pessoa se tornou “uma terra improdutiva” conforme diz em Hebreus 6.7-8:

“A terra que embebe a chuva que cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe benção da parte de Deus. Mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição. O seu fim é ser queimada”.

Perceba três coisas acerca desta pessoa e seu fim. Primeira coisa, ela é “rejeitada”. A palavra rejeitada aqui é a mesma usada em I Coríntios 9.27, onde Paulo disse:

“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”

Paulo temia que apesar de pregar o evangelho a outros, ele mesmo fosse desqualificado e não fosse mais usado por Deus nesta era e no reino. Segunda coisa, esta pessoa “perto está da maldição”.  Tal medo da desqualificação se deve ao fato de que a punição reservada a tais pessoas é semelhante a uma “maldição”. Significa que tal pessoa, mesmo não perecendo eternamente, sofrerá o “dano da segunda morte” e padecerá a Geena de fogo no reino.

Terceira coisa, “seu fim é ser queimada”. Que significa isso? Aqui se fala sobre queimar, enquanto Mateus 5 diz que alguns estarão sujeitos à Geena de fogo. Se você comparar essas duas passagens, verá que elas se combinam. Se um cristão recebe todas essas coisas maravilhosas descritas acima, mas não produz bom fruto para Deus, ele será queimado.

Entretanto, esse queimar será apenas por breve tempo. Qualquer um sabe que se atear fogo em um terreno, o fogo irá se extinguirá após todo o mato ser queimado. A queimada no reino durará no máximo mil anos. Quanto tempo vai durar a queimada, na verdade, dependerá de quanto espinho e abrolhos alguém produziu. Se produziu muitos espinhos e abrolhos, então haverá mais queima. Se tiver produzido poucos espinhos e abrolhos, então haverá menos queima.

Um cristão é semelhante a um campo, e seu comportamento indevido é comparado a espinhos e abrolhos. O que é queimado são as ervas daninhas. O terreno em si não pode ser queimado. Em outras palavras, somente aquelas coisas que foram amaldiçoadas em Adão e deveriam ser removidas e não o foram, é que serão queimadas.

Elas serão o material que será queimado na Geena de fogo. A vida que Deus nos concedeu não pode ser tocada pelo fogo. Portanto, depois que as ervas daninhas forem queimadas, o terreno ainda permanecerá. Não há absolutamente nenhum problema com a nossa salvação, mas sim com o que vier a crescer sobre ela, com o que for proveniente da carne.

Se tais coisas não forem tratadas com o sangue de Jesus, deveremos sofrer algum tratamento.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PRESERVANDO A JUSTIÇA


Leitura bíblica: Nm 5.5-10 e 11-31

Deus quer preservar santa a Sua casa. Ele quer preservar o Seu Corpo, a igreja. Ele quer preservar todo o Seu exército e fazê-lo vitorioso. Para isso é necessário eliminar as coisas negativas, e somente assim é que a igreja será uma igreja vencedora, e o nosso serviço agradável ao Senhor.

Continuaremos a ver acerca do tratamento do Senhor em nossa vida corporativa, quanto à questão da justiça e fidelidade.

Cometer faltas contra outros é uma injustiça. Números 5.5-10 trata principalmente da injustiça quanto às questões financeiras. O versículo 7 diz:

“Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado”.

No que diz respeito às riquezas materiais devemos ser fiéis e não estar em falta com ninguém. A lepra não somente se manifesta diante da rebeldia contra autoridade, mas também naqueles que são gananciosos.

Um exemplo disso ocorreu com Geazi, servo do profeta Eliseu. Após Eliseu ter curado a lepra de Naamã, comandante do rei da Síria, este insistiu com ele para que aceitasse um presente, mas Eliseu recusou. Afastando-se Naamã, Geazi, movido pela ganância e cobiça, correu atrás dele a fim de receber alguma coisa. Naamã deu-lhe dois talentos de prata e duas vestes festivais, e ele os depositou na casa.

Quando entrou onde estava Eliseu, este perguntou-lhe: “Donde vens, Geazi?” Respondeu ele: “Teu servo não foi a parte alguma.” Mas Eliseu lhe disse que havia estado com ele em espírito e sabia de tudo o que ocorrera. Disse-lhe que a lepra de Naamã se pegaria a ele e à sua descendência para sempre. E Geazi saiu de diante de Eliseu, leproso, branco como a neve, como resultado de sua ganância (2 Reis 5.20-27).

Na vida da igreja, quando cometemos uma falta contra alguém em questões financeiras, devemos resolvê-la de maneira bastante clara e o mais rápido possível. Temos um espírito com uma consciência; devemos clarificar as nossas faltas para termos boa consciência. Caso contrário não teremos paz.

Além disso, quando cometemos falta contra um irmão, nós a cometemos também contra Deus. Se não tratarmos as questões financeiras de maneira clara, isso impedirá o nosso crescimento de vida. Essa é uma lição básica para todos os que querem progredir na vida espiritual. Quando estamos em falta com alguém, tornamo-nos inabilitados para servir ao Senhor; Satanás estará sempre nos acusando. Teremos, então, uma consciência fraca e seremos até mesmo incapazes de liberar o espírito.

No exército, a luta do filho varão é contra Satanás. Se ele, por conhecer as nossas faltas, nos acusar, como poderemos vencê-lo? Muitas vezes não damos atenção às pequenas coisas tais como tomar livros emprestados, guarda-chuva, canetas, etc. Temos muitas coisas dessas conosco e nunca devolvemos. Devemos ser fiéis nas pequenas coisas. Somente assim Deus nos abençoará confiando-nos as grandes.

O princípio da restituição é acrescentar a quinta parte. O versículo 7b diz:

“Fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado.”

Isso significa que quando saldamos uma dívida, devemos fazê-lo de maneira justa.

Preservando a Fidelidade

Quem é infiel ao Senhor traz maldição sobre si. Em I Coríntios 16.22, Paulo diz:

“Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema”.

Não amar ao Senhor é ter outro amor ao invés d’Ele. Tais pessoas são marcadas pela maldição de serem consideradas “anátema”. A Bíblia diz que nós, os filhos de Deus, somos virgens puras desposadas com um único marido, Cristo (II Co 11.1-3; Ef 5.32; Ap 21.2). Cristo é o nosso amado, o nosso marido. A Ele devemos fidelidade.

Paulo foi designado para o ministério porque o Senhor o considerou fiel (1 Tm 1.12) Se formos fiéis ao Senhor, Ele também irá usar-nos , colocando-nos no ministério. Fidelidade ao Senhor é algo vital. Em 2 Timóteo 2.2 Paulo diz:

“E o que de minha parte ouviste,...isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”

O que Deus requer de nós é fidelidade. A Bíblia nos diz repetidas vezes que não devemos ter ídolos. Deus é zeloso, um Deus ciumento. Se tivermos qualquer infidelidade para com Ele, Ele ficará insatisfeito. Por isso devemos manter-nos longe dos ídolos, longe de qualquer coisa além do nosso Deus. Muitas vezes somos infiéis ao senhor nas pequenas coisas. Isso faz com que o esposo, que está dentro de nós, fique insatisfeito. Devemos devotar todo nosso amor ao Senhor e ser fiéis a Ele.

Devemos testar a nós mesmos, se somos fiéis ao Senhor. Devemos testar se estamos inclinados para o espírito ou para a carne, as coisas do homem; se amamos a Igreja ou as coisas da terra. Muitas vezes dizemos que amamos ao Senhor, mas será que realmente O amamos?

Em Apocalipse, a Igreja em Esmirna foi fiel até a morte. Precisamos tomá-la como exemplo sendo também fiéis até a morte, não levantando nenhuma suspeita de infidelidade. Fora de Deus não devemos ter nenhum outro amor. Devemos pôr-nos a prova, para ver o que é mais importante para nós: o tabernáculo ou o pó do chão, isto é, a Igreja ou as coisas terrenas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PRESERVANDO A SANTIDADE E A FIDELIDADE


Estudo sobre os pré-requisitos da Igreja Vencedora.
Leitura bíblica: Números  5.1-4

I.                   Preservando a santidade
Depois de formado o exército, depois de preparados os que estavam no serviço do tabernáculo e de tudo ter sido arranjado adequadamente, havia a necessidade de resolver algumas questões antes que o exército se pusesse em marcha. Os leprosos, os que padeciam fluxo e os que foram contaminados por algum cadáver deviam ser lançados para fora do arraial. Esses três tipos de pessoas eram imundas.

A.    Lançando os Imundos Fora do Arraial

O santuário de Deus é santo. Por isso, tanto o Seu exército como os que servem (os levitas) devem também ser santos. O que é imundo em nosso meio deve ser posto “fora do arraial”. Não podemos permitir aos imundos participar do serviço nem do exército.
Se o imundo participa do serviço, o serviço se torna imundo e apresentará problemas. Se fizer parte do exército, este não poderá vencer as batalhas. Portanto, devemos limpar toda imundícia da vida corporativa do exército, removendo os que estão contaminados. Eles não devem habitar no meio dos filhos de Israel nem fazer parte do exército ou participar do serviço.

No serviço levítico vemos quão santo era o tabernáculo: nem mesmo os levitas podiam olhar para os móveis, e os sacerdotes em geral não podiam ver a arca. Esse era um lugar santo; a lepra, os fluxos e a morte não podiam contaminar o tabernáculo. Tampouco podemos permitir que tais coisas existam na vida corporativa do “exército”.
Como pode um leproso sair à guerra? Como pode alguém com fluxo lutar pelo interesse de Deus? Tais pessoas, segundo Deus, não podem sair à guerra, pois certamente serão derrotadas. Todos os imundos, por mais cruel que isso possa nos parecer, tinham de ser lançados fora do arraial. O arraial era a habitação do Senhor naquela época e corresponde à igreja hoje.

Assim, ser lançado fora do arraial significa ser lançado fora da igreja. Deus é santo, e Ele requer que Sua habitação seja santa, e que nós também sejamos santos.

B.    Tratando Toda a Imundícia

De acordo com o conceito geral, pecado grave é prostituição, homicídio etc. Somos muito sensíveis a tais coisas. Mas a lepra, o fluxo e a morte, em geral, são para nós algo menos sério. Mas não é assim aos olhos de Deus. Para Deus essas coisas são ainda piores que os pecados morais.

A prostituição, por exemplo, prejudica duas pessoas. O mesmo ocorre com o homicídio. Mas a lepra contagia todas as pessoas. O fluxo contamina todas as pessoas. A morte, no aspecto espiritual, semelhantemente se espalha a todos. Tudo isso é grave. Por isso é que antes do exército se por em marcha, há a necessidade de resolver esses problemas.
Diferentemente de Levítico, que enfatiza os aspectos individuais, o tratamento de Deus a estas questões em Números 5.1-4 é corporativo e visa preservar a santidade do povo de Deus. Consideremos agora separadamente a questão da lepra, dos fluxos e da morte.

1.       Tratando a Lepra

A lepra na Bíblia refere-se principalmente a duas coisas: rebelião e ganância. Levítico 13 e 14 apresentam a lepra em cinco aspectos. O primeiro tipo ocorre na superfície da pele. É algo bastante sensível e fácil de descobrir. Uma vez descoberta, deve ser tratada para não progredir.

O segundo é mais sério: é a lepra que ocorre debaixo da pele. É algo mais oculto, lepra mais profunda que já penetrou na carne.

A lepra no cabelo e na barba é o terceiro tipo. O cabelo e a barba simbolizam a glória e a dignidade do homem. Um homem com lepra no cabelo perde sua glória e alguém com lepra na barba perde a dignidade. A parte principal da cabeça são os pensamentos, portanto, ter lepra na cabeça significa que a lepra penetrou nos pensamentos. Isso é bastante sério. A mente está cheia de lepra.

O quarto tipo é a lepra nas vestes. As vestem tem a ver com a conduta. Ter lepra nas vestes 
significa que a conduta daquela pessoa tornou-se leprosa e já é visível.

O último tipo e o mais grave é a lepra na casa. A casa tipifica a igreja. A lepra na casa indica que a lepra individual se alastrou por toda a igreja, que agora se encontra numa situação grave. Constatando que há realmente lepra, o sacerdote ordenará que se arranquem as pedras contaminadas, e fará raspar a casa por dentro e por fora. Então a argamassa raspada será lançada fora da cidade. Depois tomarão outras pedras e as porão no lugar das primeiras, tomar-se-á outra argamassa e se rebocará a casa.

Arrancar as pedras contaminadas significa remover as pessoas leprosas; as suas vagas serão preenchidas por outros que não sejam leprosos. Assim, feita a purificação, todos poderão voltar a reunir-se na mesma casa.

a.     O Exemplo de Arão e Miriã    

Para entender melhor a questão da “lepra” consideremos o caso de Arão e Miriã registrado em Números 12. Miriã e Arão eram os irmãos mais velhos de Moisés. Miriã até mesmo cuidou de Moisés quando jovem e por isso provavelmente julgava que ele lhe devesse alguma obediência. Arão, por sua vez, como irmão mais velho possivelmente alimentava dentro dele um coração rebelde.

Enfim, tanto Miriã como Arão estavam ocultamente insatisfeitos com Moisés. O que fez finalmente transparecer a lepra deles foi o fato de Moisés ter casado com uma mulher etíope. Isso foi realmente algo ilícito da parte de Moisés, que era líder do povo de Israel. Mas se notarmos bem, quando Miriã e Arão trataram com Moisés, eles não tocaram nessa questão. Antes, se rebelaram, falando contra ele (Nm 12.2).

Moisés, porém, não argumentou com eles, antes, esperou que o Senhor viesse resolver a questão. E o Senhor chamando os três lhes falou:

“Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me faço conhecer, ou falo com ele em sonhos. Não é assim com meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente, e não por enigmas; pois ele vê a forma do Senhor; como, pois, não temeste falar contra o meu servo, contra Moisés?” (vs. 6-8).

Depois que Deus falou, Sua ira se acendeu contra eles; e Ele retirou-se. Miriã, então, se achou leprosa. Arão, ao ver aquilo, temeu e se arrependeu. Então Moisés rogou ao Senhor por Miriã e o Senhor teve misericórdia dela. Depois de ficar detida fora do arraial por sete dias, Miriã foi curada. Porém por causa dela todo o exército de Israel foi retardado por sete dias em sua marcha.

Isso nos mostra que quando ocorre esse tipo de “lepra” (a rebeldia) na igreja o mover de Deus é temporariamente impedido. O caso de Miriã e Arão nos adverte a não difamar ou murmurar contra aqueles a quem o Senhor institui como autoridade na igreja. Mesmo tendo Moisés errado ao casar com a mulher etíope, Miriã e Arão deveriam ter deixado que Deus cuidasse do assunto. Não deveriam ter tomado isso como pretexto para se rebelarem. Tais situações freqüentemente também ocorrem na igreja.

Isso é a lepra que se manifesta. A rebelião, se não resolvida, se transforma em lepra. Se nos rebelarmos devemos arrepender-nos, caso contrário, a lepra se manifestará em nós. Não cabe a nós como igreja tratar com os que foram ungidos pelo Senhor. Antes, cabe a Deus fazê-lo.

2.      Tratando os Fluxos

Os fluxos são coisas que fluem de dentro do homem, do seu corpo. Há fluxos normais, necessários à vida, e fluxos anormais. O homem considera aceitável o fluxo natural, e rejeita o anormal. Deus, entretanto, considera todo fluxo como imundícia, pois procede do homem natural. Para Deus, tudo o que procede do homem natural é imundo.

Muitos cristãos sevem a Deus por meios naturais. Não servem segundo a Sua determinação, mas fazem tudo de acordo com a opinião, os métodos, e os sentimentos naturais. Tais coisas naturais quando introduzidas no serviço santo e no exército, acabam prejudicando todo o serviço. Por isso precisam ser lançados fora do arraial. Aparentemente os fluxos não são tão graves como a lepra, mas ainda assim é imundícia aos olhos de Deus.

Não devemos introduzir o que é natural no serviço. Alguns se julgam capazes de falar. Tais irmãos, no entanto, deviam verificar de onde vem a palavra que proferem: se de Deus ou de sua habilidade natural. Miriã e Arão também consideravam-se aptos para falar por Deus. Eles disseram:

“Porventura tem falado o Senhor somente por Moisés?” (Nm 12.2)

Sim, talvez eles soubessem falar algo, mas a palavra de Moisés vinha da boca do Senhor. Essa era a diferença. Devemos acautelar-nos!

Que o Senhor venha transformar-nos assim como fez com Jacó, um exemplo típico de homem natural. Por toda a sua vida ele apenas usou métodos naturais para obter o que queria. Mas Jacó amava a Deus e por isso Deus o transformou, tornando-o “príncipe de Deus”. Jacó foi transformado por meio de muitos tratamentos.

Por isso se, após várias tentativas de tratamento de Deus, ainda continuarmos naturais, não teremos serventia para Ele e seremos lançados fora do arraial. Se somos pessoas com “fluxo” estamos imundas. Precisamos banhar-nos e lavar nossas vestes “em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus (I Co 6.11). Seremos lavados, seremos santificados e seremos justificados!

3.      Tratando a Morte

Deus abomina a morte. Como povo santo de Deus precisamos nos purificar da imundícia da morte. Essa questão foi tratada muitas vezes em Levítico. Mas, agora, novamente, o Senhor nos faz lembrar dessa questão para que nos mantenhamos afastados da morte.
A morte é algo que devemos temer. Quando permitimos que  palavras de morte entrem em nossos ouvidos e em nossa mente, morremos: perdemos o interesse pelas coisas espirituais, pela oração, pela palavra e pelas reuniões. Alguns irmãos em nosso meio têm sido contaminados.

Antes tinham sempre um espírito forte nas reuniões, cantando e liberando o espírito, mas após tocar na morte passaram a ter um ar crítico e a agir friamente. É difícil tocar nesse assunto, mas creio que o Senhor quer nos advertir. Deus jamais permitirá que coisas da morte permaneçam no serviço ou no Seu exército.

A morte prejudica grandemente a igreja. Restaurar um santo contaminado pela morte não é tão difícil. Mas restaurar uma igreja contaminada pela morte requer tempo considerável. Quando as palavras negativas vêm a nós devemos rejeitá-las.

Não sejamos contaminados. Um cadáver é imundo aos olhos de Deus. Somos nazireus, não podemos tocar cadáveres. Por isso temos de orar para que o Senhor tenha misericórdia de nós. Vamos invocar o Seu nome. Vamos usar o Espírito a fim de sermos purificados e não sermos lançados fora do arraial. Vamos eliminar a morte de nosso meio!