segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Quebrantamento do Homem Exterior

Antes que possamos prestar um serviço eficaz a Deus, temos que passar pela experiência do quebrantamento do homem exterior. Uma primeira dificuldade é que seu homem exterior nunca seja quebrado e seu espírito nunca seja despertado. Ele não consegue liberar o espírito e, por isso, do seu espírito não flui nenhum poder. Só sua mente e emoções serão ativas. Se ele for alguém sentimental, suas emoções serão ativas, se for alguém inteligente, sua mente será ativa. Uma obra assim não traz ninguém a Deus.

A outra dificuldade é que ele não consiga distinguir claramente seu homem exterior do homem interior. Nesse caso, quando seu espírito é liberado, ele vem envolto por sua mente ou emoções. O resultado é uma mistura impura. Esse tipo de obra produz, nos outros, experiências mistas e impuras. Essas duas condições estorvam o homem de servir adequadamente o Senhor.

O Espírito É O Que Dá Vida

Se quisermos realizar obras eficazes, precisamos reconhecer basicamente, pelo menos uma vez, que: “O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite” (Jo 6:63). Se não resolvermos essa questão este ano, teremos que fazê-lo no ano que vem. Se não estabelecermos um compromisso quanto a essa questão no primeiro dia da nossa conversão, teremos de fazê-lo mais cedo ou mais tarde, mesmo que dez anos se passem.

Será necessário reconhecer a inutilidade da sua obra carnal para que possa ver com clareza a futilidade de seus muitos pensamentos e sentimentos. Ainda que muitos sejam ganhos pelos nossos pensamentos e sentimentos, o resultado será vão. Mais cedo ou mais tarde teremos de confessar que “o Espírito é o que dá vida”. Somente o Espírito pode dar vida. Já que é somente o Espírito que dá vida, a regeneração dos pecadores e a edificação dos crentes ocorrem apenas quando o Espírito é liberado. Sem o Espírito não há regeneração, nem edificação.  

Quando o Espírito de Deus opera, Ele precisa fazê-lo por meio do espírito humano. Da mesma forma, a eletricidade, que faz funcionar os aparelhos elétricos, não pode se propagar através do ar como o relâmpago. Ela é conduzida através dos fios. Hoje temos energia elétrica porque temos os condutores, os fios transportam a eletricidade. Esse mesmo princípio se aplica ao Espírito de Deus. Ele precisa do espírito humano como meio de conduzir Seu Espírito. Por meio do espírito humano, o Espírito Santo é transportado e conduzido aos homens.

Depois que uma pessoa é salva, o Espírito Santo habita no seu espírito: “Acaso vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vós, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos”?  (I Co 6:19). A utilidade de um cristão para Deus depende mais do seu homem exterior do que do seu espírito. Se o homem exterior não foi quebrado, isso se torna o seu problema. O resultado disso é que o Espírito de Deus está trancafiado em seu espírito e não consegue ser liberado. Por vezes o homem exterior se move, mas o homem interior não reage a esse mover. O homem exterior é liberado, mas o homem interior continua preso.

Nesses casos, o homem exterior e o homem interior não se harmonizam, não são unânimes. A condição de uma pessoa se torna desanimadora quando não há unidade entre o homem exterior e o homem interior. Enquanto o homem exterior trabalha e se esforça, o homem interior não sai do lugar: a mente e a emoção trabalham, mas o espírito não. É como se o homem interior fosse um expectador do desempenho do homem exterior, mas os dois não se harmonizam.

A descrição acima se encaixa na situação daqueles cujo homem exterior não foi quebrantado. Assim, o quebrantamento do homem exterior é a primeira lição pela qual todos os que desejam servir ao Senhor devem passar. Se não aprendermos essa lição, a nossa eficácia na obra será muito limitada. Que o Senhor nos leve ao ponto em que o nosso homem exterior seja quebrantado. Que Deus nos mostre a maneira de sermos quebrantados diante do Senhor.

Desejamos que todos sejam mais quebrantados para servirmos ao Senhor no espírito! 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O SIGNIFICADO DA CRUZ

Cremos não existir nenhum cristão que não tenha ouvido a respeito da cruz. Talvez, estejamos bem familiarizados com ela; porém, que é a cruz? O significado dela é o quebrantamento do homem exterior. Ela o leva à morte e rompe a casca. Ela destrói tudo o que é do homem exterior: opiniões, métodos, sabedoria, amor-próprio e tudo o mais. Uma vez que o homem exterior esteja quebrado, o homem interior é liberado e o espírito pode funcionar. Realmente está bem claro que caminho devemos seguir.

Suponha que certo irmão tenha uma mente privilegiada, e todos que o conhecem admitem isso. Além disso, a sua vontade é forte e as suas emoções são reservadas e profundas. Mas quando os outros irmãos o encontram percebem que estão tocando o seu espírito, e não a sua vontade forte, mente privilegiada e emoções reservadas e profundas. Sempre que têm comunhão com ele, tocam o seu espírito, um espírito puro, pois seu homem exterior está quebrantado. A sua própria pessoa foi quebrantada. Quebrar o homem exterior é fundamental. Não devemos ficar sempre agarrados às nossas fraquezas. Não podemos continuar tendo o mesmo sabor depois de o Senhor ter lidado conosco por cinco ou dez anos. Precisamos deixar que o Senhor tenha caminho através de nós. Essa é a exigência básica que o Senhor tem para nós.

Duas Razões Por Que Não Somos Quebrantados

Por que tantos cristãos permanecem os mesmos depois de o Senhor lidar com eles por vários anos? Alguns têm vontade forte, outros são geniosos, outros têm mente privilegiada; entretanto, apesar disso, o Senhor ainda consegue quebrá-los. Há duas razões principais pelas quais muitos cristãos não são quebrantados mesmo depois de passados muitos anos de vida na igreja.

Primeiro, eles vivem nas trevas e não vêem a mão de Deus. O Senhor opera o quebrantamento, entretanto eles não percebem que Ele está fazendo a obra. Falta-lhes luz e eles não vivem na luz. Só vêem os homens, ou então, só vêem o ambiente, e reclamam que ele é duro de mais. Põe toda a culpa no ambiente ou nos homens. Que Deus nos ajude a ver que é a Sua mão nos quebrando para fazer com que nosso homem interior possa prevalecer sobre o homem exterior. Se pelo menos os cristãos reconhecessem que não é o mundo, nem a família ou os irmãos da igreja que lidam conosco. Precisamos ver a mão de Deus. Ele é que lida conosco. Precisamos pedir a Deus que remova todo o nosso amor-próprio, pois o mesmo é um grande obstáculo ao quebrantamento. Todos os desentendimentos, queixas e insatisfações provém de uma única fonte: AMOR-PRÓPRIO SECRETO. Visto que nos amamos secretamente, procuramos preservar-nos. Esse é um grande problema. Muitas vezes os problemas surgem porque tentamos preservar-nos.

Que o Senhor fale conosco e possamos orar: “Deus meu! Vejo agora que tudo vem de Ti. As experiências dos últimos anos vieram todas de Ti. Tudo isso foi feito com um único objetivo: que a Tua vida se expresse através de mim. Tenho sido tolo por não ver isso. Pelo amor-próprio fiz muitas coisas para me livrar e desperdicei muito do Teu tempo. Hoje vejo a Tua mão e voluntariamente me consagro a Ti. Entrego-me às Tuas mãos uma vez mais” 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO QUEBRANTAMENTO

“Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da Lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da Lei escrita” (Rm 7:6).

Mais cedo ou mais tarde todo servo de Deus descobre que ele mesmo é o maior empecilho para a realização da obra de Deus. Mais cedo ou mais tarde ele descobrirá que seu homem exterior não combina com seu homem interior. O homem interior caminha numa direção, enquanto o homem exterior caminha em outra. Ele descobre que seu homem exterior não consegue submeter-se ao governo do espírito ou andar segundo as mais altas exigências de Deus. Descobre ainda que o grande obstáculo para seu serviço é seu homem exterior, que o impede de exercitar o espírito, para assegurar a presença de Deus em seu espírito, para conhecer a Palavra de Deus por meio do seu espírito, para transmitir a Palavra de Deus por meio de seu espírito e para perceber e receber revelação divina com o seu espírito.

 Muitos servos do Senhor são basicamente inaptos para a obra do Senhor, pois Deus nunca lidou com eles nas coisas fundamentais. Sem isso os servos estão basicamente desqualificados para qualquer obra. Todo entusiasmo, zelo e ardente súplica são vãos. Esse tipo de tratamento básico é o único meio de nos tornar vasos úteis para o Senhor.

O Homem Exterior e o Homem Interior

Em Romanos 7:22 lemos: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus”. Aqui diz claramente que nosso homem interior tem prazer na lei de Deus. Note também em Efésios 3:16: “Sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior”. Paulo diz também em II Coríntios 4:16: “Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia”. Segundo os textos acima, vemos que a Bíblia divide nosso ser em homem exterior e homem interior. Deus habita o homem interior, e o que está fora desse “homem interior ocupado por Deus” é o homem exterior. Em outras palavras, o nosso espírito é o homem interior. Esse homem interior se veste do homem exterior como se fosse uma roupagem.

Deus colocou a Si mesmo, Seu Espírito, a Sua vida e o Seu poder em nós, isto é, no homem interior. Do lado de fora estão: a mente, emoção e vontade e por fora de tudo isso, na camada bem externa, se encontra o corpo, a carne. Para que alguém trabalhe para Deus é necessário que o seu homem interior seja liberado. O problema básico de muitos servos de Deus é que o seu homem interior não consegue irromper do homem exterior. Para que o homem interior possa ser liberado, é necessário que ele irrompa do homem exterior tal como uma borboleta irrompe do seu casulo.

Se nosso homem interior estiver aprisionado, confinado, então nosso espírito estará encoberto e não será fácil liberá-lo. Se nunca aprendermos a romper a barreira do homem exterior com o nosso espírito, não poderemos trabalhar para o Senhor de forma que Ele se agrade de nosso serviço. Nada pode nos atrapalhar mais do que o nosso homem exterior. Se a nossa obra terá eficácia ou não, depende de o Senhor ter quebrado o nosso homem exterior, de forma a possibilitar a liberação do homem interior. Isso é fundamental.

Entre todas as pessoas do mundo, alguns têm a vida do Senhor em seu interior. Entre eles encontramos duas situações. Uma na qual a vida está presa, circundada e trancada. Na outra o Senhor abriu um caminho e a vida pode ser liberada. O nosso problema hoje não é como podemos ter vida, e, sim, como ela pode fluir de nós. Se o homem exterior não for quebrado, nunca poderemos tornar-nos uma benção para a igreja nem esperar que o mundo receba a graça de Deus por nosso intermédio.

A Bíblia fala de um ungüento de nardo puro (Jo 12:3). A Palavra de Deus propositadamente usa o adjetivo puro: puro é sinal de algo verdadeiramente espiritual. Mas, a menos que o vaso de alabastro seja quebrado, o ungüento de nardo puro não pode ser liberado. Se o homem exterior não for quebrado, o homem interior nunca poderá ser liberado. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A ECONOMIA DE DEUS

         “Embora eu seja o menor dos menores de todos os santos, foi-me concedida esta graça de anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo e esclarecer a todos a administração deste mistério que, durante as épocas passadas, foi mantido oculto em Deus, que criou todas as coisas” (Ef 2:8-9).

Muitos cristãos já estão familiarizados com a palavra ‘economia’. Essa palavra é popularmente relacionada a assuntos financeiros. Mas ela tem, na verdade, um sentido mais amplo: Na administração de um país, por exemplo, a economia consiste no plano administrativo que o presidente daquele país pretende cumprir e concluir durante o seu período de governo. Esse tipo de economia é composto de vários itens, tais como finanças, segurança, educação, relações exteriores, saúde, e outros.

Deus também tem uma economia – a economia de Deus - que nada mais é que Seu plano de dispensar a Si mesmo para dentro do homem criado por Ele. Embora possa soar estranho dizer economia de Deus, é bom nos inteirarmos do seu significado, que é absolutamente bíblico. A palavra economia aparece algumas vezes no Novo Testamento.

Nas versões da Bíblia existentes em português, os tradutores do grego preferiram traduzir a palavra oikonomia por serviço ou dispensação. Todavia, literalmente, oikonomia(oikos=casa e nomos=lei) significa lei de uma casa ou administração doméstica. Em 1 Timóteo 1:4 oikonomia está traduzida por “serviço” e em Efésios 1:10 e 3:2, pela palavra “dispensação”. A palavra DISPENSAR é a forma verbal de oikonomia, que denota distribuir as riquezas divinas para o povo de Deus, isto é, distribuir a Si próprio como vida para dentro da humanidade. É importante sabermos que tudo o que Deus fez, faz ou fará tem em vista este objetivo.

                                     O Dispensar do Deus Triúno

Já sabemos que o objetivo de Deus é dispensar a Si mesmo para dentro dos homens. Agora precisamos saber como isso acontece. Afinal, como Deus pode ser dispensado para dentro de nós? No capítulo 1 do livro de Efésios vemos que para ocorrer tal dispensar para dentro de nós, há necessidade da participação de toda a Trindade. Os versículos 4, 5 e 6 mostram-nos o dispensar do Pai. A obra do Pai foi principalmente escolher-nos antes da fundação do mundo e predestinar-nos para a filiação, a fim de recebermos toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Isso vem comprovar que antes da fundação do mundo Deus já tinha um plano, e para esse fim nos escolheu e predestinou.

Mas, enganado por Satanás, o homem caiu em desobediência, entrando nele o pecado, e, pelo pecado, a morte (Rm 5:12). O homem não era mais um vaso adequado para conter o Deus Santo dentro de si. Havia então a necessidade da obra de redenção, executada pelo sangue de Jesus Cristo, o Filho. Assim, os versículos 6 a 12 falam da obra do Filho para que Deus Pai possa dispensar-nos todas as bênçãos espirituais. Não só isso, os versículos 9 e 10 falam do mistério da vontade de Deus referindo-se à Sua economia que será cumprida na plenitude dos tempos, quando então Cristo encabeçará todas as coisas.

Finalmente, vemos a obra do Espírito Santo nos versículos 12, 13 e 14. A obra do Espírito Santo é selar-nos, confirmando cada ato de justiça praticado por nós. Ele também é o penhor da nossa herança, a qual é nada mais nada menos que todas as riquezas de Deus. Hoje, quanto mais temos contato com o Espírito, mais o Deus Triúno é dispensado a nós. Quando tocamos o Espírito, alcançamos o Filho e também o Pai. Dessa maneira o Deus Triúno é dispensado a nós.

Antigamente, as grandes casas eram administradas por mordomos ou ecônomos (do grego oikonomos). Eles eram encarregados de dispensar todas as riquezas do dono da casa, para suprir as necessidades de toda a família. Do mesmo modo, Deus tem uma grande casa e há necessidade de mordomos ou ecônomos para distribuir Suas riquezas divinas aos da casa. Paulo era um ecônomo, conforme ele mesmo diz em Efésios 3:2: “Certamente vocês ouviram a respeito da dispensação (economato) da graça de Deus a mim confiada para distribuir a vós outros”, e em Colossenses 1:24, 25: “Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação (economato) da parte de Deus, que me foi confiada de apresentar-lhes plenamente a palavra de Deus.”

O resultado deste dispensar de Deus por meio de seus ecônomos ou mordomos é a produção da igreja. Este é o mistério da vontade de Deus (Ef 1:9), desde os séculos, oculto: “e esclarecer a todos a administração deste mistério que, durante as épocas passadas, foi mantido oculto em Deus que criou todas as coisas” (Ef 3: 8-9). Paulo segue dizendo que foi assim que o mistério de Deus foi revelado aos santos apóstolos e profetas (Ef 3:5). No versículo 10 ele diz que “pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais.”

Precisamos ver isso com clareza: o ensinamento saudável dos ecônomos produz a economia de Deus na fé. Por intermédio de Seus ecônomos, Deus é dispensado para dentro dos santos. Agora sabemos que Deus tem uma vontade que estava oculta. Se ninguém a revelasse, continuaria sendo um mistério e ninguém poderia conhecê-la. Agora, todavia, ela está acessível a nós por meio da revelação que é o dispensar da parte dos ecônomos, isto é, a igreja, para levar a cabo o mistério da vontade de Deus. Daí conclui-se que o ensinamento dos apóstolos é o modo de Deus para produzir Sua economia na fé. O ensinamento saudável dos apóstolos produz a economia de Deus na fé. Por meio das palavras desses Seus ecônomos, Deus é dispensado para dentro dos santos.

Que significa a economia de Deus na fé? Precisamos aclarar sucintamente esse assunto. Quando ouvimos a sã Palavra de Deus, a fé é produzida em nosso interior. Quanto mais palavras recebemos mais cresce a nossa fé. Daí podermos concluir que: Nossa fé cresce pelo contínuo dispensar das sãs palavras de Deus. A economia de Deus é muito grande e profunda. Não existe um meio de praticá-la na totalidade num repente; apesar disso, à medida que a nossa fé vai crescendo por meio da palavra de Deus, a qual procede do fundamento dos apóstolos, a economia de Deus pode ir sendo realizada pouco a pouco. É assim que ocorre nosso crescimento de vida espiritual, até chegar ao ponto em que todas as riquezas de Deus sejam depositadas em nossa fé. É assim que a economia de Deus é trabalhada totalmente dentro da nossa fé, até ser parte da nossa constituição.   

Graças ao Senhor que, por Sua misericórdia, Ele nos está revelando que a economia de Deus pode crescer dentro da nossa fé. E, à medida que a fé cresce, mais graça e paz teremos. Em II Pedro 1:2 Diz: “Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus nosso Senhor.” Quanto mais conhecemos a Deus, mais a fé cresce e graça e paz nos são multiplicadas. Precisamos conhecer mais a Deus! Não devemos satisfazer-nos somente com a salvação! Precisamos prosseguir e também ajudar aos que foram salvos a conhecer a Deus, qual o Seu plano e como Ele o realizará, para que assim eles também possam cumprir a economia de Deus.

Hoje, na era da igreja, nós estamos aprendendo a viver dentro da economia de Deus, por isso, não aceitaremos o suborno das coisas temporárias, antes aspiraremos o reino de Deus, à nossa pátria definitiva, a cidade que tem fundamentos, a qual é o resultado do dispensar do Deus Triúno e é o cumprimento da economia de Deus. Pela fé cremos que o universo foi formado pela palavra de Deus. É dessa maneira que descobriremos a maravilhosa economia de Deus na Sua criação.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

DEUS NOS DEU O ESPÍRITO DA VERDADE


          “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”, (palavras de Jesus Cristo em Jo 14:5-17).

Esse Espírito da verdade está relacionado somente aos crentes em Jesus. Ele nada tem a ver com o mundo. O Senhor revelou que o Espírito Santo está constantemente com os que crêem. Isso é um fato. Mas note a frase que vem a seguir: “E estará em vós”. O “estará” indica o futuro. O que o Senhor tentou esclarecer foi: “Este Espírito Santo está hoje com vocês, mas virá um dia quando Ele entrará em vocês”. Vamos continuar a ler, para que possamos ver mais a respeito.

O versículo 18 diz: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.” Que é um órfão? É uma criança deixada sem o cuidado de um pai. Um filho cujo pai está com ele tem todo o seu viver, alimentação, roupas, etc., fornecidos pelo pai. O pai prepara tudo e faz tudo por ele. Uma criança sem pai, por outro lado, deve preparar tudo por si mesma. O Senhor está dizendo aqui que Ele não nos deixaria órfãos para administrarmos sozinhos todos os assuntos espirituais. Em vez disso, Ele voltaria para ser o nosso pai, para cuidar de nós. O significado dessa passagem é muito claro: O Senhor pedirá ao Pai, e o Pai enviará um Consolador para o meio de vós. Esse Consolador, que é o Espírito Santo, é simplesmente o Cristo que irá habitar no interior de vocês. É dessa maneira que os discípulos não se tornariam órfãos.   

Prossigamos em nossa leitura. Os versículos 19 e 20 dizem: “Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; vocês, porém, me verão; porque eu vivo, vocês também viverão. Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim e eu em vocês.” O Senhor nos fala aqui do propósito que está por trás de Seu despojar da carne e entrar no Espírito. O objetivo disso é que nós, os que cremos, possamos conhecer a realidade do que Ele disse: “eu estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós”, para que possa haver uma união perfeita e plena. Esse fato ocorreria somente “naquele dia”, o dia em que Cristo, no Espírito, veio para dentro de nós. Somente naquele dia é que conheceríamos a unidade de ter Cristo no Pai, nós em Cristo e Cristo em nós. Essa união perfeita transmite a nós tudo o que Deus fez em Cristo e tudo o que Deus é por meio de Cristo. Tudo o que é Dele torna-se nosso. Deus e o homem, o homem e Deus tornam-se absolutamente mesclados.

                                          Um Espírito Com Cristo

Cristo morreu e ressuscitou por nós. Se Ele não tivesse vindo a nós no Espírito Santo, a nossa salvação orgânica não poderia ser consumada. Cristo ainda não poderia ter se unido a nós. Mas agora Cristo tomou uma forma espiritual. Agora Ele pode facilmente entrar em nós. Pelo fato de Ele estar no Espírito, temos a possibilidade de recebê-Lo. A Bíblia também diz que “todo aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele.” Cristo está no Espírito, e nós também temos um espírito. Quando nosso espírito recebe esse Cristo, que está no Espírito, os dois se tornam um espírito. Essa é a preciosidade da nossa fé. Sem isso, nossa crença é uma religião comum sem qualquer relevância para nossa vida. Sem isso não pode haver uma salvação interior.

                                                      Vida Pela Fé

Chegamos ao ponto crucial da fé cristã, o ápice da salvação de Deus. Agora queremos ver como Cristo pode ser nossa vida de maneira subjetiva. Para que possamos conhecê-Lo e contatá-Lo, Deus, em determinado tempo, encarnou-se a fim de se tornar um homem. Esse homem é ninguém mais que Jesus de Nazaré. Ele é Deus revestido de humanidade. Fisicamente falando, o corpo de Jesus não era diferente do nosso. Mas a vida em Seu interior era de outra categoria totalmente diferente. Sua vida é puramente a vida de Deus; ela tem as características de Deus. Agora, o que Deus dá aos que estão em Cristo nada mais é que essa mesma vida que estava corporificada em Jesus de Nazaré: “Deus nos deu a vida, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida” (I Jo 5:11-12).

O que Deus deseja fazer é dar-nos Seu Filho unigênito para que possamos receber vida eterna. Esse é o ponto máximo da salvação de Deus. Deus não apenas está restaurando o que perdemos em Adão; Ele está nos dando o que Adão nunca recebeu. Mesmo que Adão não tivesse pecado, ele ainda seria meramente um ser humano; não teria nenhum relacionamento com a vida de Deus. Mas o que herdamos em Cristo é algo muito mais excelente. Além da vida humana, temos uma nova vida adicional, uma vida da parte de Deus, que é o próprio Filho de Deus. E isso é vida eterna.

Aqui nos é dito que essa vida eterna está no Filho. Ela não é encontrada em nenhum outro lugar. Quem não tiver essa vida no Filho é meramente humano; pode existir apenas na terra, mas não pode sobreviver na eternidade, pois não tem aquela vida que o qualifica para a eternidade. Deus pregou nosso velho homem na cruz com Cristo; daí por diante, ele está terminado. Agora estamos vivos juntamente com Cristo; Ele se tornou nossa vida. Somos um novo homem; temos um novo começo e podemos viver uma nova maneira de vida. Tudo isso são obras de Deus realizadas em Cristo a favor de todos os que crêem.   

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DEUS DÁ AO HOMEM UMA NOVA VIDA

Deus não tem qualquer desejo de mudar nosso comportamento exterior. Sua única intenção é substituir nossa velha vida por uma nova; e isso só pode ser realizado em Cristo Jesus. Quando estamos em Cristo, essa obra de substituição é automaticamente aplicada a nós.

Sabemos que a coisa mais crucial na fé cristã é possuir uma NOVA VIDA da parte de Deus. Todos sabem que o comportamento manifestado por meio da vida natural é extremamente maligno. Ele é absolutamente sem esperança.  O comportamento corrompido da humanidade, em geral, se faz conhecido pelos pecados que são cometidos. Alguns cometem pecados escabrosos, enquanto outros podem entregar-se a pecados mais refinados e sutis. Em qualquer caso, são todos pecados que necessitam ser perdoados. Eles têm de ser perdoados correta e adequadamente antes que possamos receber a vida de Deus.

Há também o aspecto relativo à velha natureza, à velha criatura e à vida que provoca o pecado. Se essa vida não for removida pela raiz, ainda haverá a possibilidade de pecar; ela continuará a dar fruto podre. O pecado ainda se manifestará em nossos pensamentos e ações. Deus deve dar uma solução final para nossa velha vida. Ela tem de ser exterminada uma vez por todas.

Depois dessas coisas serem cuidadas, Deus poderá dispensar livremente para nós uma nova vida em Cristo. Então, poderemos andar diariamente segundo essa vida e seremos capazes de viver nesta terra uma vida como a de Deus e cumprir o Seu propósito.

Como Deus perdoou os nossos pecados? A Bíblia mostra-nos que não apenas recebemos perdão em nossa salvação, mas também obtivemos justificação. Muitas vezes na Bíblia perdão e justificação estão juntos. Os dois constituem os passos iniciais para se receber uma nova vida. Vejamos, de maneira mais acurada, a questão do perdão e da justificação.

Para entendermos isso temos de voltar para Cristo, pois Ele é a chave para todas essas questões. Deus considera Cristo como “o cabeça” de uma nova raça. Ele é o segundo homem e é também o último Adão. O primeiro Adão era um homem importante porque incorporava toda a humanidade. Quando ele pecou, toda a raça humana foi corrompida. Deus, agora, executou Seu julgamento sobre uma pessoa, Cristo. Porque Cristo também é um grande homem coletivo, e nós que estamos incluídos Nele, também recebemos o julgamento de Deus. Por essa razão, a Bíblia diz que Cristo morreu pelos nossos pecados. Não morremos individualmente, morremos em Cristo. Sua morte inclui todos nós. Com Sua morte, nossos pecados podem ser perdoados. Portanto, o perdão de Deus é baseado no Seu julgamento em Cristo. Isso não é perdão irresponsável, mas é um perdão muito justo.

Cristo veio a terra para sofrer o julgamento dos nossos pecados e a conseqüência deles, para que pudéssemos ser perdoados. A vinda de Cristo é a vinda do próprio Deus. Ele veio para pagar o preço de nossa dívida. Agindo assim, Ele não se contaminou com a injustiça; em vez disso, provou ser correto e justo. Isso não é tudo. Temos de perceber que Jesus Cristo é um homem. Ele carregou nossos pecados como homem. Deus viu Cristo como homem e incluiu todos nós Nele. Quando Deus julgou Cristo, Ele também nos julgou. Portanto, Deus nos julgou em Cristo e também nos perdoou em Cristo. Esse perdão satisfez a justiça de Deus.

Em II Coríntios 5:14 diz-se: “Julgando nós isso: um morreu por todos, logo todos morreram.” O “um”, aqui, se refere a Cristo, e o “todos” refere-se a nós. Daí se pode concluir que quando Cristo morreu, todos nós morremos com Ele, porque todos fomos incluídos Nele. Da mesma maneira, por estarmos em Cristo, quando Ele passou pelo julgamento, nós também passamos. Sua morte tornou-se nossa terminação.

No versículo 21 do mesmo capítulo, lemos: “Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Que significa “ser feito pecado”? Significa que quando Cristo foi pregado na cruz, Deus o considerou como o pecado seu e meu. Quando Cristo morreu, o pecado foi removido e terminado. Agora, todos nós que estamos Nele, temos nossos pecados terminados; nós nos tornamos justiça de Deus em Cristo. Agora podemos viver uma nova vida em Cristo!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A CRUCIFICAÇÃO DOS PECADORES COM CRISTO

O objetivo mais elevado na salvação de Deus é introjetar Sua vida no espírito do homem. Esse é o desejo final e máximo de Deus. É impossível viver uma vida piedosa meramente com nossa vida humana. A manifestação dela é apenas pecado. Somente participando da vida divina é que podemos ter um viver divino.

Quanto a isso, Deus primeiramente tratou de tal maneira com os nossos pecados e iniqüidades a ponto de, ao mesmo tempo, manter Sua justiça. Vimos que o Filho de Deus foi julgado com esse propósito, e que nós que agora estamos Nele, temos nossos pecados perdoados.

Mas a salvação de Deus não parou no perdão de pecados; ela foi mais fundo a fim de tratar com a fonte do pecado. Dissemos que os pecados do homem não são causados pelo ambiente em que vive. Em vez disso, eles se originam em sua própria pessoa. O modo de vida é meramente uma conseqüência natural do tipo de vida que se possui. Já que a vida humana é corrompida, o comportamento do homem não pode deixar de ser pecaminoso.

Nosso ambiente não pode desencadear algo que não existe dentro de nós. Toda conduta exterior é resultado direto de nossa vida interior. Portanto, as tentações no ambiente em que nos encontramos são meramente catalisadores para acelerar a exposição da nossa substância interior.

                         Deus Nunca Muda Nossa Vida

Podemos mudar a vida humana? Jamais! Não somente somos incapazes de mudá-la, como Deus tampouco quer mudá-la. A vida do homem natural é como uma fábrica de pecado que fabrica diariamente centenas de produtos. Portanto, além da obra do perdão, Deus tem de tratar com a fonte do pecado. Já que Ele não vai mudar nossa vida, qual é, então, a solução básica que Ele providenciou para salvar-nos? Vamos ver agora o segundo aspecto da Sua salvação.

Romanos 6:7 diz: “Porquanto quem morreu, justificado está do pecado.” Se alguém quer ser libertado do pecado, o único caminho é morrer. Quem morreu está livre do pecado porque não lhe é mais possível pecar. A salvação de Deus para o homem é a morte! Para entendermos isso vamos ver o versículo que precede aquele que lemos há pouco. Romanos 6:6 diz; “Sabendo isso, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”. Temos de ver essa passagem mais cuidadosamente.

A palavra “destruído” não está adequadamente traduzida. A palavra no grego tem dois significados: um é “desempregado” e o outro é “paralisado” ou “paralítico”. A idéia de desemprego é mais forte nesta passagem. Portanto, podemos traduzi-la da seguinte maneira: “Para que o corpo do pecado fique desempregado.” Há três agentes importantes nessa passagem. O primeiro é o pecado, o segundo é o velho homem e o terceiro é o corpo. O pecado aqui está personificado; ele é um amo. Trata-se de um poderoso senhor que prende, enreda e compele o homem a cometer pecado específico. O homem, por sua vez, torna-se escravo do pecado, sujeitando-se a tal tirano, e realizando tudo o que ele exige.

Talvez não sintamos muita pressão desse amo. Mas na hora em que decidimos vencê-lo, descobrimos que, não importando quanta energia reunamos, jamais conseguimos derrubar seu poder. Quanto mais alguém tenta controlar seu temperamento, mais perderá a calma. O pecado é o amo. Ele força o velho homem a se submeter. Sob tal arranjo, os dois procuram um instrumento e descobrem o corpo. O corpo, então, é usado. Dessa maneira, o corpo executa a ordem ditada pelo pecado e pelo velho homem. O pecado é o ditador, o velho homem submete-se às suas ordens e o corpo as cumpre praticamente na forma de transgressões. Esses três são um. Eles concordam um com o outro e o produto dessa colaboração é a multidão de pecados que cometemos.

A maneira de Deus lidar com isso, não é subjugar o pecado nem mortificar o corpo. Deus faz uma troca de pessoa. O velho homem é removido, e uma nova vida que abomina o pecado é introduzida em seu lugar. Quando a tentação vem, essa nova vida afasta-se dela. Dessa maneira, o corpo perde sua função de pecar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CRISTO MORREU PELOS NOSSOS PECADOSc

Em Mateus 26:28 o Senhor Jesus disse: “Porque isto é o meu sangue, o sangue da (nova) aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”. Portanto, o derramamento do Seu sangue é para a remissão dos nossos pecados. Somente em Cristo é que podemos obter perdão. Fora Dele, qualquer tipo de perdão que alguém obtiver não é justo.

Selecionamos algumas passagens para ver como Cristo realizou a redenção por nós:

Romanos 5: 6-8: “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente haverá alguém que morra por um justo, embora pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”.

Hebreus 9:22: “Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados”. O pecado só poderia ser perdoado depois do julgamento e da condenação.

I Pedro 2:24: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados”. Em 3:18 diz: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus; Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito”.

I João 1:7 diz: “Se, porém, andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”.

Isaías 53:6 diz: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos”. As palavras “fez cair sobre” também podem ser traduzidas para “colocou sobre”. Todos os nossos pecados foram colocados sobre Jesus. Isso é como transferir uma conta. Originalmente, o pecado estava na nossa conta. Agora, ele foi transferido para a conta de Jesus Cristo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O PADRÃO DE CONDUTA QUE VEM DA “Vida de Deus”

Quando você descobre que o fator determinante de toda conduta cristã é a vida, então percebe que não deve só evitar tudo o que é mau, como também tudo o que é apenas aparentemente bom. Somente o que emana da vida cristã é conduta cristã. Portanto não podemos concordar com nenhuma atitude que não proceda da vida. Lembremo-nos da Palavra de Deus: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17).

O padrão cristão não somente julga aquilo que não é bom, mas também aquilo que é mera bondade aparente. Muitas coisas são certas de acordo com padrões humanos, mas o padrão divino as declara erradas porque não resultam da vida divina. Um cristão deve saber que toda sua conduta deve ser governada pelo princípio da vida e não pelo princípio do certo ou errado. Em relação a qualquer maneira de agir, mesmo que outros a declarem certa, e todos os aspectos da situação indiquem que a maneira é correta, ainda assim ele deveria ser bem sensível às reações da vida de Cristo em seu interior. O caminho de Deus para nós, não é conhecido por indicações externas, mas por impressões internas. É a paz e o gozo no Espírito que indicam o caminho do cristão.

Circunstâncias Exteriores não Devem Governar Nossas Decisões

Um dos conceitos errôneos mais prejudiciais entre os filhos de Deus é o que diz que suas ações devem ser determinadas pelo certo e errado. Eles fazem o que seus olhos dizem estar certo. Fazem o que seu conhecimento diz estar certo. Fazem o que seus anos de experiência dizem estar certo. Porém, para um cristão, toda decisão deve ser baseada na vida interior e isso é totalmente diferente de tudo o mais. Desejamos intensamente que vocês vejam que um cristão não deve tomar nenhuma atitude que não seja ditada pela vida. Se a vida dentro de vocês se move para fazer algo, então é certo fazê-lo; se a vida dentro de vocês resiste a fazer algo, então devem parar imediatamente.

Nosso caminhar deve ser governado apenas por Sua vida (a ZOE de Deus), não pelo certo e errado. O contraste entre esses dois princípios de vida é imenso. Tantas pessoas ainda estão perguntando: “É certo eu fazer isto? Seria errado eu fazer aquilo?” A única pergunta que o cristão deve fazer é: “A vida divina dentro de mim cresce ou diminui quando penso em fazer tal coisa?” A reação da vida divina dentro de nós deve determinar o caminho a seguir em cada circunstância. Isso é uma questão de coração.

Portanto, a questão não é: “Estou certo ou errado?”, mas: “A vida divina em mim concorda com isso?” Várias vezes descobriremos que aquilo que nós mesmos aprovamos, a vida dentro de nós desaprova. Quando isso acontece, não devemos fazer o que achamos estar correto, e sim o que a vida divina nos permite.

Nossas Ações Devem Ser Controladas Pela Vida

Em I Coríntios 4:4, Paulo diz: “Embora em nada minha consciência me acuse, nem por isso justifico a mim mesmo; o Senhor é quem me julga. Portanto, não julguem nada antes da hora devida; esperem até que o Senhor venha. Ele trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará as intenções dos corações. Nessa ocasião, cada um receberá de Deus a sua aprovação”. É fácil fazer distinção entre bem e mal, mas Paulo não era governado pelo bem e mal. Mesmo quando ele não tinha consciência de ter feito alguma coisa errada, ainda assim não ousava afirmar que tudo estava certo com ele; reconhecia que o Senhor era seu juiz.

No trono do julgamento (tribunal de Cristo) é o Senhor quem nos julgará, porém, hoje a Sua vida está em nós e está dirigindo o nosso caminho. Por essa razão Paulo disse em II Coríntios 5:7: “Andamos por fé, e não pelo que vemos”. Portanto, devemos tornar-nos sensíveis à Sua vida e aprender a discernir o que essa vida está dizendo. Uma grande mudança ocorrerá em nós quando nossa conduta não mais for governada pelo princípio do bem e do mal, mas somente pelo princípio da vida.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PRINCÍPIOS DE CONDUTA

Deus criou o homem e Ele mesmo providenciou o sustento do homem que criara. A existência do homem proveio de Deus e era Sua intenção que o homem fosse dependente Dele ao longo de toda a sua vida. A vida que o Senhor deu era para ser nutrida por meio de alimentos adequados que Ele mesmo supriu.

“E plantou o Senhor um jardim no Éden, da banda do oriente, e pôs nele o homem que havia formado. Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2:8-9). Por meio dessas duas árvores, Deus nos tem mostrado, figuradamente, dois diferentes caminhos nos quais as pessoas podem viver seus dias na terra: o princípio que governa a conduta de alguns é o conhecimento do bem e do mal, enquanto outros são governados pelo princípio da vida. Vamos gastar um pouco de tempo analisando esses dois diferentes princípios, e como eles afetam a vida dos filhos de Deus.

Qual é o Princípio do Bem e do Mal

Se nossa conduta é controlada pelo princípio do bem e do mal, então toda vez que temos de tomar uma decisão, primeiro perguntamos: “Isto é certo ou errado?” “Seria bom ou seria mau fazer isso?”. Muitos cristãos hesitam antes de fazer qualquer coisa e ficam remoendo tais perguntas na mente. Eles estão inclinados a fazer o que é certo; querem evitar todo o mal; desejam viver uma vida de acordo com o que julgam ser o comportamento de um cristão. Portanto, estão sempre alertas para separar o certo do errado e fazer apenas o que consideram ser certo. Todavia, a Palavra de Deus diz: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2 16-17). O viver cristão não consiste em agir de acordo com o padrão aparentemente sublime de rejeitar tudo o que é mau e escolher apenas o que é bom. Isso é viver sob a lei, é agir de acordo com a antiga aliança, não de acordo com a nova. Agir desse modo é conformar-se a padrões religiosos ou morais. Isso está totalmente aquém do padrão de Deus.

A Base do Viver Cristão é a Vida

Que é o viver cristão? O viver cristão é uma questão de vida. Se és cristão, então você possui uma nova vida; e quando tem de decidir sobre determinado modo de agir, você não pergunta: “É certo fazer isto?”, antes deve perguntar: “Se eu fizer isto, no que irá afetar minha vida interior? Como reagirá a isto a nova vida que tenho dentro de mim?

O mais surpreendente é que o objetivo de muitos é somente conformar-se a um padrão exterior, apesar de Deus não nos ter dado, pelo novo nascimento, uma porção de regras e regulamentos novos, aos quais devemos nos ajustar. Ele não nos levou para um novo Sinai nem nos deu uma nova lista de mandamentos com seus “farás isto” e “não farás aquilo”. O viver cristão não requer que investiguemos o certo e o errado das diferentes maneiras de agir, e, sim, que verifiquemos a reação da vida divina a qualquer ação proposta.

Como cristão você agora possui a vida de Cristo, e são as reações da vida Dele em você que têm de ser levadas em conta. Se, ao refletir sobre determinada ação, houver um brotar de vida em seu interior, uma inclinação do espírito para executá-la, se houver uma resposta positiva da vida interior, se houver “a unção” no interior (I Jo 2:20 e 27), então você pode confiadamente seguir a maneira proposta. A vida interior é o parâmetro indicado aos que querem ser guiados pela vida divina.   

Mas se quando você estiver pensando a respeito de algo que deve ser feito ou não, e a vida interior começar a desfalecer, então você saberá que tal atitude deve ser evitada, mesmo que seja aparentemente recomendável. Quando a fonte de vida em nosso interior brota em resposta a alguma sugestão, devemos segui-la; mas quando ela diminui, devemos rejeitar a idéia. Não nos atrevamos a ser governados por coisas exteriores nem por argumentos nossos ou de outras pessoas. Devemos sim, obedecer ao que a vida interior está dizendo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O PROPÓSITO DA CONSAGRAÇÃO

Até aqui temos visto que o significado da consagração é a oferta de si mesmo como um sacrifício para Deus, para Sua satisfação. Mas o sacrifício do Novo Testamento, em contraste com o do Antigo Testamento, é um “sacrifício vivo”. Todas as vezes que uma verdadeira consagração é feita ao Senhor, Seu propósito se torna evidente naquela vida que foi consagrada a Ele. Aquela vida se torna ativa para Deus.

Se não nos temos apresentado como um sacrifício vivo a Ele, nunca seremos capazes de fazer nada para Ele. Somente aqueles que têm sido reduzidos a nada, no altar, podem servi-Lo agradavelmente. Antes de fazermos com nossas mãos algum trabalho para Ele, temos primeiro de permitir que Ele faça com Suas mãos Seu trabalho em nós, então poderemos assumir alguma responsabilidade em Sua obra.

O Resultado da Consagração

O resultado da consagração é que todos os nossos planos são cortados. A verdadeira consagração não só acaba com todos os planos do mundo não-cristão, mas também acaba com todos os planos do mundo cristão. Você será testado por um cristianismo onde é possível ser um pregador de reputação mundial ou um palestrante requisitado por ter o poder de curar em nome de Jesus. Espero que muitos cristãos se tornem homens e mulheres verdadeiramente úteis nas mãos do Senhor, mas deixem-me alertá-los de uma grande armadilha que estará a sua frente – a armadilha da fama no mundo cristão.

Há um “espírito de exibicionismo” espalhado entre as igrejas. Muitos querem ter um lugar no púlpito com um único objetivo: aparecer, ser famoso, vender CDs ou receber paga para se apresentar em conferências e seminários. Somente uma pequena parcela de cristãos está hoje no “altar” como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

Ouvimos queixas de líderes que não conseguem administrar a guerra de egos em suas igrejas. Há uma febre de “oportunidades” para que os irmãos possam cantar, tocar, e até mesmo testemunhar. Se os pastores não cedem a essa pressão, correm o risco de ficar com suas congregações esvaziadas de pretensos talentos. Eis a razão porque não encontramos muita unção do Espírito nas igrejas.

Não me interprete mal quando dizemos que não há lugar para ambição natural em alguém cuja vida foi realmente entregue a Deus – nenhum futuro no mundo cristão e nenhum futuro no mundo não-cristão. Será que alguém se atreve a seguir esse caminho?

Examine-se e veja onde você realmente está na questão da consagração. Espero que você seja fiel para examinar as Escrituras, nas quais nossa reflexão é baseada. No caso de estar falhando em algum aspecto, você pode confiar na graça do Senhor para suprir o que te falta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O SIGNIFICADO DA CONSAGRAÇÃO

Cada vez que mencionamos consagração, surge em nossa mente uma questão: Qual é o significado da consagração? A Bíblia nos oferece uma resposta clara: “Apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo”. Quando nos consagramos, isso não significa que nos tornamos pregadores; significa que nos tornamos um sacrifício. O sacrifício mencionado aqui pelo apóstolo é o holocausto que era oferecido como aroma suave a Deus. Era Seu alimento.

Que é alimento? Alimento humano é aquilo que satisfaz ao homem; alimento de Deus é aquilo que satisfaz a Deus. Mas que era esse holocausto? O Antigo Testamento explica claramente. Precisava ser um boi que normalmente lavrava o campo ou puxava um carro; mas um dia esse boi era transferido de sua atividade original para um ambiente totalmente diferente. Ele era morto, esfolado, cortado em pedaços, lavado, colocado sobre o altar e, se fosse aceito por Deus, um fogo o consumiria até virar cinzas.

Cinzas – este é o último estágio de transformação de qualquer coisa, algo em sua forma final, é o fim de tudo. Mas, por favor, observe que era quando o boi estava completamente reduzido a cinzas no altar, que ele subia a Deus como aroma suave e dava satisfação ao Seu coração.

No Antigo Testamento, qualquer coisa oferecida a Deus sofria uma mudança de ambiente e de costume. Qualquer lugar que você ocupava antes de sua consagração é diferente daquele que você ocupa depois da consagração, pois o seu lugar agora é no altar. Qualquer que fosse o seu hábito no mundo antes da sua consagração, agora é diferente, pois seu hábito agora é prover alimento para Deus, dar satisfação ao Seu coração.

O que Deus quer, acima de tudo, é o homem. Ele quer você, e quando você estiver reduzido a cinzas no altar, esse é o momento em que o aroma suave é elevado até Deus, e Ele fica satisfeito com você. Este é o significado da consagração.  

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

COMO VIVER UMA VIDA CONSAGRADA

Após termos nascido de novo, existe ainda muita coisa para Deus operar em nossa vida, e existe também muita coisa que podemos fazer para Deus. Mas para isso é preciso uma entrega total de nossa vida a Ele. Precisamos permitir que Ele faça Seu trabalho em nós; precisamos permitir que Ele nos use, e precisamos permitir que Ele nos guie no decorrer da estrada que se estende à nossa frente.

Tudo isso requer uma total consagração de nossa vida. Isso inclui nosso consentimento para que Ele possa agir. Deus necessita de nossa permissão antes de trabalhar em nós, usar-nos ou dirigir os nossos passos. Se não queremos que Ele faça o Seu trabalho em nós, Ele espera o nosso consentimento. Ele é extremamente paciente.

No caso de muitos cristãos, passa-se muito tempo após o seu novo nascimento antes que se possa notar alguma evidência de que eles realmente têm progredido no caminho do Senhor. Após, talvez dez anos, você ainda os encontrará mais ou menos no mesmo nível que estavam quando foram salvos. É claro que nasceram de novo, possivelmente já adquiriram uma boa porção de conhecimento doutrinário, e estão até mesmo envolvidos em uma série de “trabalhos da igreja”, mas com respeito aos verdadeiros valores espirituais, não possuem nada além daquilo que adquiriram em seu novo nascimento.

A explicação desse fenômeno: Não houve entrega de suas vidas a Deus. Não houve em sua história o momento que tiveram uma completa transação com Deus e definitivamente tenham dito a Ele: “Eu quero estar em Tuas mãos para que operes em mim, por meio de mim e para que me guies no Teu caminho”. Todos os que desejam servir ao Senhor precisam ter tal momento de entrega total. Somente quando permitirmos que o Senhor trabalhe em nós é que estaremos aptos para trabalhar para Ele.

A Base da Consagração

Quando alguma coisa importante é feita por Deus ou pelo homem, a base de tal ato precisa estar clara. Pois bem, essa questão de consagração é de suprema importância; portanto, ela precisa estar firmada num fundamento bem sólido. Se Deus exige que nos entreguemos a Ele, em que baseia essa exigência? Ele deve ter motivos para requerer nossa entrega, e nós também devemos ter motivos para nos entregar a Ele.

A Bíblia mostra que o problema da consagração é o resultado de uma situação de “compra”. “Não sois de vós mesmos” diz a Bíblia, “porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Co 6:19-20). Em outro versículo diz: “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos, se morremos, para o Senhor morremos. Quer pois vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:8). A Bíblia diz também que somos “escravos” de Deus (I Co 7:22). Um escravo é aquele sobre quem o seu Senhor tem todos os direitos, por tê-lo comprado. Esse termo, “escravo” soa um tanto desagradável, mas nós, que temos experimentado a graça do Senhor, conhecemos o quanto é maravilhoso ser Seus escravos.

O Senhor nos comprou por um alto preço e agora nenhum de nós tem direito sobre si mesmo. A autoridade sobre nossa vida foi entregue em Suas mãos pelo direito de compra. Com base nisso Ele pede que nos entreguemos. Por um alto preço, pelo preço do precioso sangue de Seu Filho, Deus nos comprou para Si. Pelo fato de termos sido comprados por Deus, a autoridade sobre a nossa vida não é nem do mundo nem nossa, é Dele. Ele tem, portanto, um bom motivo para exigir que nos entreguemos a Ele.    

Muitos cristãos, atualmente, são como escravos foragidos. O Senhor estabeleceu Seus direitos sobre eles pela redenção, mas eles se recusam a reconhecer Suas exigências legais. O Senhor pagou o preço, mas eles não permitem que Ele tome posse do que é Seu. Isso é uma ofensa contra a lei do universo. Devemos resolver esse problema da exigência legal de Deus, entregando-nos a Ele.

A base verdadeira da consagração é de ordem legal. Não é baseada em constrangimento de amor, como muitos cristãos pensam. Eles se entregam ou deixam de se entregar ao Senhor na proporção em que sentem ou deixam de sentir o Seu amor. Mas, na concepção de Deus, nossa consagração não é uma questão opcional; sua base legal está estabelecida. Você foi comprado como Seu escravo e quer goste ou desgoste, você pertence a Ele. O direito sobre sua vida não é seu, mas Dele, porque Ele o adquiriu pela compra.

Já dissemos que o amor não é a base consagração, todavia, ele é a força que a gera. Existem escravos que percebem que a autoridade sobre sua vida está na mão de seus senhores, e eles cerram seus dentes com amargura de alma ao ter de servi-los. Eles não têm nenhum amor por aqueles que os possuem. Mas talvez você se lembre do que é dito em Êxodo 21, sobre um escravo que no final de seis anos de serviço, podendo ser um homem livre, declarou: “Eu amo a meu senhor, não quero sair livre”. Em conseqüência disso, o seu senhor o faria chegar à porta ou à ombreira e lhe furaria a orelha com uma sovela. 

Submetendo-se a isso, o escravo na realidade quis dizer: “Por amor a meu senhor, eu quero ser seu escravo para sempre”. Ele poderia sair em liberdade, mas por causa do amor rejeitou sua liberdade. Essa é a verdadeira consagração. Há um versículo na Bíblia que diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12:1).

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

UMA PALAVRA DE CONSOLAÇÃO

Que a graça e a paz do Senhor Jesus Cristo seja convosco!

Escrevo esta página pensando nos seguidores dos Diários do Reino que constantemente estão acessando e estudando o seu conteúdo. Tenho a preocupação com todos, pois sei que as revelações da Palavra da verdade podem, momentaneamente, causar certa perplexidade. O perigo que ronda o cristão é o desânimo e a sensação de incompetência com relação às exigências da Palavra para ser um vencedor.

Quando me tornei cristão, tinha minha própria concepção sobre o que era um cristão, e tentei ao máximo ser esse tipo de cristão. Pensei que somente alcançando o padrão imaginado atingiria a perfeição. Ser perfeito era a minha ambição, mas eu tinha minha própria opinião sobre o padrão de perfeição. Pensava que um cristão perfeito deveria sorrir desde a manhã até a noite; se alguma vez derramasse uma lágrima, ele deixaria de ser vitorioso. Pensava que um cristão perfeito deveria ser uma pessoa muito corajosa; se sob quaisquer circunstâncias mostrasse o menor sinal de temor, então eu diria que lhe faltara fé; ele não conseguira confiar no Senhor; ele não fora perfeito.

Durante muito tempo conservei essas idéias, até o dia em que, ao ler 2 Coríntios, cheguei à passagem onde Paulo disse que estava triste. Fiquei impressionado. Paulo triste? Pensei. Em seguida li que ele derramou muitas lágrimas, e considerei; será que de fato Paulo tenha chorado? Li que ele fora atribulado, que estivera perplexo (4:9) e considerei: Paulo estivera realmente atribulado? Estivera ele realmente perplexo? Li também: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida”. E considerei: será possível que o grande apóstolo Paulo tenha se desesperado?

Nunca havia me ocorrido que uma pessoa como Paulo pudesse ter experiências tais como estas. Todavia, enquanto eu prosseguia a leitura, gradativamente tomei consciência do fato de que os cristãos não são uma categoria de seres angelicais, e que Paulo não ficava muito longe de nós. Na verdade, descobri que Paulo era um homem e que era um homem igual aos outros que conheço. Eis aqui um homem que está com medo, no entanto é forte; cercado pelos inimigos, mas não aprisionado; parece vencido, contudo não está destruído. Percebe-se que ele é fraco, porém declara que quando está fraco então é forte.

Pode-se ver que ele leva no corpo o morrer de Jesus, todavia diz-nos que a vida de Jesus também se manifesta em seu corpo. Você ouve seu “relato negativo”, mas também ouve seu “relato positivo”. Ele parece ser um “enganador”, contudo é “verdadeiro”. Parece ser desconhecido, no entanto é bem conhecido. É como alguém que está morrendo, todavia ele vive; como alguém entristecido, mas sempre alegre; pobre, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo. Eis aqui um cristão!

Você percebe o que significa ser cristão? Ser cristão é ser uma pessoa em quem há uma inconsistência fundamental, um paradoxo inerente, e esse paradoxo vem de Deus. Vejamos o pensamento de Deus a respeito dos cristãos: “Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós” (II Co 4:7). Algumas pessoas pensam que no viver cristão só existe o tesouro e não o vaso de barro. Se elas encontram o vaso de barro em algum lugar, sentem que tudo está errado. Porém, a concepção de Deus é totalmente diferente da do homem.

O propósito de Deus não anula o vaso de barro; Ele põe o tesouro nele. É sempre no vaso de barro que o tesouro é encontrado. Deixem-me dizer-lhes que não há uma alma cujo vaso de barro seja tão vil que o tesouro não possa aparecer nele. A beleza do tesouro é realçada pelo vaso de barro no qual é depositado.

Paulo era um homem, um homem de verdade, mas a vida do Senhor brilhou por meio de sua vida. Ele não era um robô; ele tinha sentimentos. Não era invariavelmente triste nem era sempre alegre. Ao mesmo tempo que estava triste, também estava alegre. É característico do viver cristão, que mesmo enquanto as lágrimas correm, a face pode expressar-se num sorriso. Console-se com estas palavras e até a próxima.